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20/03/2014
27/01/2012
Thomas Nagel – Razão e relativismo #6
O que um conjunto de frases quer dizer é uma questão de convenção. O que se segue de um conjunto de premissas não.
Thomas Nagel, A última palavra, tr. Desidério Murcho, Gradiva, p.53.
26/11/2011
Leibniz – Livre-arbírio, determinismo, necessidade e contingência
Como a noção individual de cada pessoa encerra duma vez para sempre quanto lhe acontecerá. Nela se vêem as provas a priori da verdade de cada acontecimento ou a razão de ter ocorrido um de preferência a outro. Esta verdades, porém, embora certas, não perdem, entretanto, a sua contingência, pois fundamentam-se no livre-arbítrio de Deus ou das criaturas, cuja eleição tem sempre suas razões, inclinando sem necessitar.
(…)
Dissemos que a noção duma substância individual encerra, duma vez para sempre, tudo quanto lhe pode acontecer, e considerando esta noção nela se pode ver tudo o que é verdadeiramente possível enunciar dela, como na natureza do círculo podemos ver todas as propriedades possíveis de tirar dela.
Parece, porém, devido a este facto, destruir-se a diferença entre verdades contingentes e necessárias, não haver lugar para a liberdade humana, e reinar sobre todas as nossas acções, bem como sobre todos os restantes acontecimentos do mundo, uma fatalidade absoluta. Contestarei isto, pela afirmação da necessidade de distinguir o certo do necessário.(…)
Para resolvê-la solidamente, explico haver duas espécies de conexão ou consecução; absolutamente necessária, só aquela cuja oposta implique contradição (esta dedução dá-se nas verdades eternas, como as da geometria); a outra é só necessário ex hypothesi, ou, por assim dizer, por acidente, mas é contingente em si mesma, quando a contrária não implique contradição.
E esta conexão fundamenta-se, não só sobre as ideias absolutamente puras e sobre o simples entendimento de Deus, mas também sobre os seus decretos livres e sobre a continuação do universo.
Leibniz, Discurso de metafísica, tr. Miguel Real, Lisboa Editora, p. 88 (§ 13).
13/09/2010
Desidério Murcho, "Limites do Papel da Lógica na Filosofia"
A tarefa da filosofia, tal como a tarefa das ciências, é descobrir proposições verdadeiras. Mas ao contrário do que acontece com as ciências empíricas, a experiência raramente fornece à filosofia um critério para distinguir a verdade da falsidade. Assim, apesar de a lógica parecer fornecer tão pouco, é afinal o único meio seguro que temos para excluir argumentos que, ainda que conduzam à verdade, o fazem de forma tal que não podemos realmente saber se estamos perante a verdade ou perante a ilusão. A lógica não pode decidir se as premissas são ou não verdadeiras; a lógica não pode tão-pouco decidir se a conclusão de um raciocínio é verdadeira ou não; mas a lógica diz-nos se tal conclusão resulta realmente ou não de tais premissas.
É a lógica que permite distinguir claramente os argumentos válidos das falácias.
(...)
O que torna a filosofia sublime é o carácter extraordinário que a faz perguntar pelo que a experiência não pode alcançar, sem desistir de exigir que se distinga a verdade da ilusão. Estas perguntas podem ser incómodas para as pessoas que têm um forte espírito técnico e um fraco espírito interrogativo, ou para as pessoas que querem ter a todo o custo conforto espiritual, sem se preocuparem muito em saber se aquilo que os conforta é ou não realmente verdade. Mas a filosofia é fundamentalmente uma actividade de fazer perguntas incómodas e tentar encontrar respostas razoáveis. Perguntas muito simples sobre as questões mais gerais da realidade. Tão gerais que não podem ter uma resposta empírica.
(...)
As teorias filosóficas típicas não podem ser confirmadas ou infirmadas pela experiência; ultrapassam-na. Só a lógica e a discussão séria podem ajudar-nos a avaliar a verdade das suas teorias, uma vez que queremos excluir do nosso estudo o apelo irracional a experiências místicas. Mas como vimos, um argumento válido nunca é conclusivo em filosofia porque é sempre possível duvidar da verdade das premissas; por outro lado, um argumento inválido pode ainda assim ter uma conclusão verdadeira. Assim, a lógica não pode de forma alguma resolver os problemas da filosofia; não pode pelo menos, seguramente, resolvê-los todos. Mas é um instrumento básico sem o qual a tarefa do filósofo é bastante mais confusa, correndo o risco de se tornar ou num discurso autofágico, ou num veículo de divulgação disfarçada de ideias pouco inteligentes que querem furtar-se à livre discussão.
É a lógica que permite distinguir claramente os argumentos válidos das falácias.
(...)
O que torna a filosofia sublime é o carácter extraordinário que a faz perguntar pelo que a experiência não pode alcançar, sem desistir de exigir que se distinga a verdade da ilusão. Estas perguntas podem ser incómodas para as pessoas que têm um forte espírito técnico e um fraco espírito interrogativo, ou para as pessoas que querem ter a todo o custo conforto espiritual, sem se preocuparem muito em saber se aquilo que os conforta é ou não realmente verdade. Mas a filosofia é fundamentalmente uma actividade de fazer perguntas incómodas e tentar encontrar respostas razoáveis. Perguntas muito simples sobre as questões mais gerais da realidade. Tão gerais que não podem ter uma resposta empírica.
(...)
As teorias filosóficas típicas não podem ser confirmadas ou infirmadas pela experiência; ultrapassam-na. Só a lógica e a discussão séria podem ajudar-nos a avaliar a verdade das suas teorias, uma vez que queremos excluir do nosso estudo o apelo irracional a experiências místicas. Mas como vimos, um argumento válido nunca é conclusivo em filosofia porque é sempre possível duvidar da verdade das premissas; por outro lado, um argumento inválido pode ainda assim ter uma conclusão verdadeira. Assim, a lógica não pode de forma alguma resolver os problemas da filosofia; não pode pelo menos, seguramente, resolvê-los todos. Mas é um instrumento básico sem o qual a tarefa do filósofo é bastante mais confusa, correndo o risco de se tornar ou num discurso autofágico, ou num veículo de divulgação disfarçada de ideias pouco inteligentes que querem furtar-se à livre discussão.
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03/06/2010
Para que serve a Lógica?
O homem, independentemente da civilização histórica a que pertence, tenta conhecer a verdade. Tanto os homens primitivos como os nossos contemporâneos aspiram a chegar, conhecendo o mundo circundante, ao saber verdadeiro. Este traz alegria e satisfação a uns e penas a outros: a verdade impulsiona os fortes a realizar proezas, mas paraliza a vontade dos fracos, conduze-os ao pessimismo e à confusão. Não obstante, todas as pessoas querem conhecer o mundo em que vivem.
01/06/2010
O que é a Lógica?
O termo "lógica" é derivado do vocábulo grego logos que significa "ideia", "palavra", "razão" e "regularidade", e emprega-se para designar tanto o conjunto de regras que acata o processo de pensar, reflexo da realidade, como a ciência das regras de raciocínio e das suas formas. Utilizaremos o termo nestes dois sentidos. Além disso, o dito termo emprega-se para designar as regularidades do mundo objectivo ("lógica das coisas", "lógica dos acontecimentos"), o qual sai fora dos marcos do nosso livro.
15/09/2009
10/09/2009
Argumentação - Anthony Weston
Algumas pessoas pensam que argumentar é apenas expor os seus preconceitos de uma forma nova. É por isso que muitas pessoas pensam também que os argumentos são desagradáveis e inúteis. Argumentar pode confundir se com discutir. Neste sentido, dizemos por vezes que duas pessoas discutem, como numa espécie de luta verbal. Acontece muito. Mas não é isso o que os argumentos realmente são.Neste livro «apresentar um argumento» quer dizer oferecer um conjunto de razões a favor de uma conclusão ou oferecer dados favoráveis para uma conclusão. Neste livro, um argumento não é apenas a afirmação de certos pontos de vista, e não é apenas uma disputa. Os argumentos são tentativas de apoiar certos pontos de vista com razões. Neste sentido, os argumentos não são inúteis; na verdade, são essenciais. Os argumentos são essenciais, em primeiro lugar, porque são uma forma de tentar descobrir quais os melhores pontos de vista. Nem todos os pontos de vista são iguais. Algumas conclusões podem ser apoiadas com boas razões; outras, com razões menos boas. Mas muitas vezes não sabemos quais são as melhores conclusões. Precisamos de apresentar argumentos para apoiar diferentes conclusões, e depois avaliar tais argumentos para ver se são realmente bons. Neste sentido, um argumento é uma forma de investigação. Alguns filósofos e activistas argumentaram, por exemplo, que criar animais só para fornecer carne causa um sofrimento imenso aos animais e que, portanto, isso é injustificado e imoral. Será que eles têm razão? Não se pode decidir consultando os preconceitos que se têm. Estão envolvidas muitas questões. Temos obrigações morais para com outras espécies, por exemplo, ou é só o sofrimento humano que é realmente mau? Podem os seres humanos viver realmente bem sem carne? Alguns vegetarianos viveram até idades muito avançadas. Será que este facto mostra que as dietas vegetarianas são mais saudáveis? Ou é esse facto irrelevante, considerando que alguns não vegetarianos também viveram até idades muito avançadas? (É melhor perguntar se uma percentagem mais elevada de vegetarianos vivem até idades avançadas.) Talvez as pessoas mais saudáveis tenham tendência para se tornarem vegetarianas, ao contrário das outras? Todas estas questões têm de ser consideradas cuidadosamente, e as respostas não são, à partida, óbvias. Os argumentos também são essenciais por outra razão. Uma vez chegados a uma conclusão bem apoiada por razões, os argumentos são a maneira pela qual a explicamos e defendemos. Um bom argumento não se limita a repetir as conclusões. Em vez disso, oferece razões e dados para que as outras pessoas possam formar a sua própria opinião. Se o leitor ficar convencido que devemos realmente mudar a forma como criamos e usamos os animais, por exemplo, terá de usar argumentos para explicar como chegou a essa conclusão: é assim que convencerá as outras pessoas. Ofereça as razões e os dados que o convenceram a si. Ter opiniões fortes não é um erro. O erro é não ter mais nada.
Anthony Weston, A arte de argumentar, tr. Desidério Murcho, Gradiva, 1996, pp. 13-15.
08/09/2009
Lógica e argumentação - Desidério Murcho
A Argumentação é um instrumento sem o qual não podemos compreender melhor o mundo nem intervir nele de modo a alcançar os nossos objectivos; não podemos sequer determinar com rigor quais serão os melhores objectivos a ter em mente. Os seres humanos estão sós perante o universo; têm de resolver os seus problemas, enfrentar dificuldades, traçar planos de acção, fazer escolhas. Para fazer todas estas coisas precisamos de argumentos. Será que a Terra está imóvel no centro do universo? Que argumentos há a favor dessa ideia? E que argumentos há contra ela? Será que Bin Laden é responsável pelo atentado de 11 de Setembro? Que argumentos há a favor dessa ideia? E que argumentos há contra? (…) O que é a consciência? Será que alguma vez houve vida em Marte? Queremos respostas a todas estas perguntas e a muitas mais. Mas as respostas não nascem das árvores nem dos livros estrangeiros; temos de ser nós a procurar descobri-las. Para descobri-las temos de usar argumentos. E quando argumentamos podemos enganar-nos; podemos argumentar bem ou mal. É por isso que a lógica é importante. A lógica permite-nos fazer o seguinte:
1) Distinguir os argumentos correctos dos incorrectos;
1) Distinguir os argumentos correctos dos incorrectos;
2) Compreender por que razão uns são correctos e outros não; e
3) Aprender a argumentar correctamente.
Os seres humanos erram. E não erram apenas no que respeita à informação de que dispõem. Erram também ao pensar sobre a informação de que dispõem, ao retirar consequências dessa informação, ao usar essa informação na argumentação. Muitos argumentos incorrectos não são enganadores: são obviamente incorrectos. Mas alguns argumentos incorrectos parecem correctos. Por exemplo, muitas pessoas sem formação lógica aceitariam o seguinte argumento:
Os seres humanos erram. E não erram apenas no que respeita à informação de que dispõem. Erram também ao pensar sobre a informação de que dispõem, ao retirar consequências dessa informação, ao usar essa informação na argumentação. Muitos argumentos incorrectos não são enganadores: são obviamente incorrectos. Mas alguns argumentos incorrectos parecem correctos. Por exemplo, muitas pessoas sem formação lógica aceitariam o seguinte argumento:
Tem de haver uma causa para todas as coisas porque todas as coisas têm uma causa
Contudo este argumento é incorrecto. A lógica ajuda-nos a perceber por que razão este argumento é incorrecto, apesar de parecer correcto. Chama-se “válido” a um argumento correcto e “inválido” a um argumento incorrecto.
Desidério Murcho, O lugar da Lógica na Filosofia, Plátano, 2003, pp. 9, 10.
26/05/2009
O problema do sentido da vida e os problemas da lógica
Se alguém pensa ter encontrado a solução do problema da vida e se sente disposto a dizer a si próprio que agora tudo é muito fácil, basta-lhe, para ver que está enganado, recordar-se de uma época em que tal «situação» ainda não havia sido descoberta; teria sido também possível viver nessa altura, e a solução agora encontrada pareceria fortuita relativamente a esse tempo. O mesmo se passa com o estudo da lógica. Se existisse uma «solução» para os problemas da lógica (filosófica), necessitaríamos apenas de ter em conta que houve um tempo em que eles não estavam ainda resolvidos ( e que também então as pessoas sabiam viver e pensar)
Wittgenstein, Cultura e valor, Ed. 70, pp. 16, 17.
02/04/2009
Sofistas e democracia
Mas são as instituições democráticas que permitirão o progresso da sofística, tornando-a, de alguma maneira, indispensável: a conquista do poder exige, de agora em diante, o perfeito domínio da linguagem e da argumentação: não se trata apenas de ordenar, há também que persuadir e explicar. É por isso que os sofistas, como nota Jaeger, que saíram todos da classe média, foram, de uma maneira geral, mais favoráveis, parece, ao regime democrático. É claro que os seus alunos mais brilhantes foram aristocratas, mas foi porque a democracia escolheu, frequentemente, os seus chefes entre os aristocratas, e os jovens nobres que frequentavam os sofistas foram os que aceitaram submeter-se às regras das instituições democráticas: os outros desinteressavam-se da vida política.
Por outro lado, os sofistas foram profissionais do saber; os primeiros que fizeram da ciência e do ensino o seu ofício e meio de subsistência; neste sentido, inauguram o estatuto social do intelectual moderno. Parece terem-se interessado por todos os ramos do saber, da gramática à Matemática, mas estes filómates não procuravam a transmissão de um saber teórico: visavam a formação política de cidadãos escolhidos.
Por outro lado, os sofistas foram profissionais do saber; os primeiros que fizeram da ciência e do ensino o seu ofício e meio de subsistência; neste sentido, inauguram o estatuto social do intelectual moderno. Parece terem-se interessado por todos os ramos do saber, da gramática à Matemática, mas estes filómates não procuravam a transmissão de um saber teórico: visavam a formação política de cidadãos escolhidos.
G. Romeyer-Dherbey, Os Sofistas, Edições 70
30/01/2009
O novo problema da indução
A confirmação de uma hipótese por uma instância depende em grande parte de traços característicos da hipótese que não a sua forma sintáctica. Que um dado pedaço de cobre conduza a electricidade aumenta a credibilidade de afirmações de que outros pedaços de cobre conduzem a electricidade, e confirma assim a hipótese de que todo o cobre conduz a electricidade. Mas o facto de que uma determinada pessoa nesta sala é um terceiro filho não aumenta a credibilidade de afirmações de que outras pessoas que estão agora nesta sala sejam terceiros filhos, e não confirma assim a hipótese de que todas as pessoas nesta sala são terceiros filhos. E no entanto, em ambos os casos, a nossa hipótese é uma generalização de uma afirmação de provas. A diferença é que no primeiro caso a hipótese é uma afirmação de tipo legal («lawlike»), ao passo que no segundo a hipótese é uma generalidade meramente contingente ou acidental. Só uma afirmação de tipo legal - não importando a sua verdade ou falsidade ou a sua relevância científica - é apta a receber confirmação a partir de uma instância; afirmações acidentais não o são. Temos então com certeza de buscar um meio de discernir entre afirmações de tipo legal e de tipo acidental. (…)
Suponha-se que são verdes todas as esmeraldas examinadas antes de um momento t. Assim, no momento t,as nossas observações apoiam a hipótese de que todas as esmeraldas são verdes; e isto está de acordo com a nossa definição de confirmação. Os nossos dados de prova asseveram que a esmeral a é verde, que a esmeralda b é verde e etc.; e que cada um deles confirma a hipótese geral de que todas as esmeraldas são verdes. Até aqui tudo bem.
Permiti-me porém introduzir um outro predicado menos familiar do que «verde». É o predicado «verdul» («grue»), que se aplica a todas as coisas examinadas antes do momento t, no caso de serem verdes, e também a outras coisas, no caso de serem azuis. Temos, então, no momento t, para cada afirmação a asseverar que uma dada esmeralda é verde, uma prova paralela a asseverar que é verdul. E as afirmações de que a esmeralda a é verdul, que a esmeralda b é verdul e etc. confirmam, cada uma delas, a hipótese geral de que todas as esmeraldas são verduis. assim, e segundo a nossa definição, a previsão de que todas as esmeraldas posteriormente examinadas serão verdes e a previsão de que serão todas verduis são igualmente confirmadas pelas afirmações de provas que descrevem as mesmas observações.
Nelson Goodman, Facto, ficção e previsão, Editorial Presença, pp. 85-87.
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