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27/01/2012

Thomas Nagel – Razão e relativismo #6

O que um conjunto de frases quer dizer é uma questão de convenção. O que se segue de um conjunto de premissas não.
Thomas Nagel, A última palavra, tr. Desidério Murcho, Gradiva, p.53.

18/12/2009

Wittgenstein - A palavra como figura de xadrez

A pergunta «O que é realmente uma palavra?» é análoga à pergunta «O que é uma figura de xadrez»?
Wittgenstein, Investigações filosóficas, tr. M.S. Lourenço, Gulbenkian, I parte, § 108.

23/11/2009

Wittgenstein - afirmar vs. hesitar

Não consideres uma afirmação hesitante como uma afirmação de hesitação.
Wittgenstein, Investigações filosóficas, tr. M.S. Lourenço, Gulbenkian, II parte, vii, § 24.

17/11/2009

Wittgenstein - Explicação, descrição e problemas filosóficos

Correcto foi não deixar a nossa investigação ser uma investigação científica. A experiência de «que é possível, contra o nosso preconceito, pensar isto e aquilo» - seja o que for – não nos podia interessar. (a concepção pneumática do pensamento). E não devemos produzir nenhuma espécie de teoria. Na nossa investigação não deve haver nada de hipotético. Toda a explicação tem de acabar e ser substituída apenas pela descrição. E esta descrição recebe a sua luz, isto é, a sua finalidade, dos problemas filosóficos. É claro que estes não são problemas empíricos, a sua solução estará antes no conhecimento do modo como a nossa linguagem funciona, de maneira a que de facto este modo seja reconhecido – apesar de um instinto para o não compreender. Estes problemas serão resolvidos não pela adução de novas experiências, mas pela compilação do que é há muito conhecido. A filosofia é um combate contra embruxamento do intelecto pelos meios da linguagem.
Wittgenstein, Investigações filosóficas, tr. M. S. Lourenço, Gulbenkian, I parte, § 109.

30/07/2009

Rorty e as obrigações morais #2

A existência destes dois lados [público/privado] (como o facto de podermos pertencer a várias comunidades e, assim, termos várias obrigações morais em conflito, bem como conflitos entre obrigações morais e compromissos privados) dá origem a dilemas. Teremos esses dilemas sempre connosco e nunca hão-de ser resolvidos através do recurso a outro conjunto, um conjunto mais elevado de obrigações filosóficas que um tribunal filosófico poderá descobrir e aplicar. Tal como não há nada que valide o vocabulário final de uma pessoa ou de uma cultura, não há nada implícito nesse vocabulário que dite a forma de o tecer de novo uma vez que seja posto à prova. Tudo o que podemos fazer é trabalhar com o vocabulário final que temos, ficando de ouvidos abertos, atentos a indicações quanto ao modo de o alargar ou rever.

Rorty, Contingência, ironia e solidariedade, tr. Nuno F. da Fonseca, Editorial Presença, pp. 244, 245.

28/07/2009

Rorty e as obrigações morais

A maneira correcta de interpretar a frase «temos obrigações para com os seres humanos simplesmente enquanto tal» é como sendo um meio de nos recordar que continuemos a tentar alargar tanto quanto possamos o nosso sentido do «nós». (…) A maneira certa de interpretar a frase atrás referida é como se ela nos instasse a criar um sentido mais expansivo da solidariedade do que o que actualmente temos. (…) A maneira certa de ler tais frases faz-nos pensar na filosofia como estando ao serviço da política democrática – como sendo um contributo para a tentativa de alcançar aquilo a que Rawls chama «equilíbrio reflexivo» entre as nossas reacções instintivas a problemas contemporâneos e os princípios gerais em que fomos criados. Assim entendida, a filosofia é uma das técnicas de tecer novamente o nosso vocabulário da deliberação moral de modo a acomodar novas crenças (por exemplo, que as mulheres e os negros são capazes de mais do que os brancos do sexo masculino tinham pensado, que a propriedade não é sagrada, que as questões sexuais são do foro meramente privado). A maneira errada de ler tais frases é a que nos faz pensar que a democracia política está sujeita a um tribunal filosófico (…).

Rorty, Contingência, ironia e solidariedade, tr. Nuno F. da Fonseca, Editorial Presença, pp. 243, 244.

18/06/2009

Wittgenstein - a origem dos problemas filosóficos


O exame minucioso da gramática de uma palavra enfraquece a posição de certos padrões fixos da nossa expressão que nos tinham impedido de ver os factos sem quaisquer ideias pré-concebidas. A nossa investigação procurou afastar estes preconceitos, que nos forçam a pensar que os factos se devem conformar a determinadas apresentações implantadas na nossa linguagem. «Sentido» é uma das palavras das quais se pode dizer que desempenham «tarefas ocasionais» na nossa linguagem. São estas palavras que provocam a maior parte dos problemas filosóficos. (…) O que provoca a maior parte dos problemas em filosofia é o facto de nos sentirmos tentados a descrever o uso de palavras importantes «para tarefas ocasionais», assim como se elas fossem palavras com funções habituais.

Wittgenstein, Livro azul, Ed. 70, tr. Jorge Mendes, p. 83.

16/06/2009

Wittgenstein - pensar e expressar uma ideia


Resumindo: se examinarmos minuciosamente os usos que fazemos de palavras como «pensamento», «sentido», «desejo», etc., libertar-nos-emos da tentação de procurar um acto peculiar do pensamento, independente do acto de expressão dos nossos pensamentos, e arrumado no meio peculiar. As formas de expressão estabelecidas já não nos impedem o reconhecimento de que a experiência do pensamento pode ser apenas a experiência da fala, ou pode consistir nesta experiência em conjunto com outras que a acompanham.

Wittgenstein, Livro azul, Ed. 70, tr. Jorge Mendes, pp. 82, 83.

14/06/2009

Wittgenstein - expressar uma ideia

A frase «expressar uma ideia que nos vem ao espírito» sugere que o que estamos a tentar expressar por palavras já foi expresso, mas numa linguagem diferente; que esta expressão nos veio ao espírito; e que o que fazemos é traduzi-la de uma linguagem mental para uma linguagem verbal. Na maior parte dos casos a que chamamos «expressar uma ideia, etc.» acontece algo de muito diferente. Imaginem o que acontece em casos como este: procuro hesitantemente uma palavra. São sugeridas várias palavras e eu rejeito-as. Finalmente propõem-me uma e eu digo: «Eis o que eu queria dizer!»
Wittgenstein, Livro azul, Ed. 70, tr. Jorge Mendes, p. 80.

26/05/2009

O problema do sentido da vida e os problemas da lógica

Se alguém pensa ter encontrado a solução do problema da vida e se sente disposto a dizer a si próprio que agora tudo é muito fácil, basta-lhe, para ver que está enganado, recordar-se de uma época em que tal «situação» ainda não havia sido descoberta; teria sido também possível viver nessa altura, e a solução agora encontrada pareceria fortuita relativamente a esse tempo. O mesmo se passa com o estudo da lógica. Se existisse uma «solução» para os problemas da lógica (filosófica), necessitaríamos apenas de ter em conta que houve um tempo em que eles não estavam ainda resolvidos ( e que também então as pessoas sabiam viver e pensar)
Wittgenstein, Cultura e valor, Ed. 70, pp. 16, 17.

08/02/2009

O filósofo e a linguagem

Por todo o lado, no texto platónico, vemos passagens ou incidentes que sugerem a ideia de que, no fundo, é menos o filósofo quem se serve da linguagem do que o logos, que se revela por seu intermédio, que impõe a sua lógica e o seu desenvolvimento próprios. O logos, com efeito, é simultaneamente o discurso e o seu aspecto lógico, o raciocínio. (…) A submissão ao logos é a manifestação directa da recusa em se servir da linguagem, de fazer dela um simples instrumento ao serviço dos interesses de quem fala, sem ter em consideração a verdade. (…)
A submissão ao logos assenta no simples pressuposto de que existe um ser objectivo da linguagem decalcado do ser objectivo das coisas. (…)
Falar é um acto profundamente moral: é o acto em que o homem pode – e deve –aproximar-se o mais possível do verdadeiro.
Christophe Rogue, Compreender Platão, Porto Editora, pp. 42, 43.

02/02/2009

A filosofia nasce de um escândalo...

A filosofia nasce de um escândalo: o logos está separado da realidade. Dizer uma coisa não é necessariamente dizer o que é. Consequentemente, o logos já não é moral, já não é o dom dos deuses que avalia infalivelmente os homens, as suas acções e aquilo que os rodeia. Deixando de ser isso, é neutro: é aquilo que se faz dele, tendendo para a moralidade naquele que se esforça por encontrar as coisas através dele e para a imoralidade naquele que se serve dele como de um refúgio para se dissimular. De dom divino, tornou-se um simples instrumento, um utensílio de poder, especialmente para os sofistas que, por meio do encantamento dos seus discursos, obtêm os favores da multidão.
No fundamento da démarche do Sócrates dos primeiros diálogos há, pois, esta constatação da neutralidade inaceitável do logos: a linguagem já não é necessariamente consubstancial à realidade que serve para exprimir. Pode ser verdadeira ou falsa. O seu desligamento do ser implica a possibilidade de nos servirmos dela como de um simples utensílio, o que implica, para os homens, a possibilidade do erro, da aparência, da mentira e da dissimulação. A filosofia acontece através do escândalo da neutralidade da linguagem, dando-se como ideal uma linguagem nela mesma normativa, que realiza de novo a união perdida da ética e do discurso.
Christophe Rogue, Compreender Platão, Porto Editora, pp. 21, 22.