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25/10/2013

O poder da argumentação

Um vídeo interessante que nos mostra como a argumentação pode ser uma arma poderosa para mudar os comportamentos...


10/10/2012

Robert Nozick - argumentação filosófica

Escrevo à maneira de muitos trabalhos filosóficos contemporâneos em epistemologia ou metafísica: há argumentos elaborados, afirmações refutadas por contra-exemplos improváveis, teses surpreendentes, quebra-cabeças, condições estruturais abstractas, desafios para encontrar outra teoria que se adapte a um âmbito específico de casos, conclusões chocantes e por aí em diante. Embora isto contribua (espero) para o interesse e entusiasmo intelectuais, alguns poderão sentir que a verdade acerca da ética e da filosofia política é demasiado séria e importante para que a possamos obter com instrumentos tão «vistosos». Não obstante, pode dar-se o caso de a correcção em ética não se encontrar naquilo que naturalmente pensamos.
Não são precisos argumentos elaborados para codificar a perspectiva recebida ou explicar princípios aceites. Considera-se uma objecção a outras perspectivas a mera indicação de que estas estão em conflito com a perspectiva que os leitores desejam à partida aceitar. Mas não se pode argumentar a favor de uma perspectiva diferente da que os leitores receberam indicando apenas que esta entra em conflito com aquela! Ao invés. Temos de sujeitar a perspectiva recebida à mais exigente análise e esforço intelectuais, por meio de contra-argumentos, do escrutínio dos seus pressupostos e da apresentação de um leque de situações possíveis em que até os defensores da perspectiva em causa se sintam incomodados com as suas consequências.
Mesmo o leitor que não se deixe convencer pelos meus argumentos concordará que, ao esforçar-se por manter e defender a sua própria perspectiva, a clarificou e aprofundou. Além disso, agrada-me pensar que a honestidade intelectual exige, pelo menos ocasionalmente, que nos esforcemos por confrontar argumentos poderosos contrários às nossas opiniões. De que outra maneira podemos evitar a persistência no erro?
Robert Nozick, Anarquia, Estado e utopia, tr. Vítor Guerreiro, Edições 70, pp. 22, 23.

11/03/2011

Anthony Weston, "A Arte de Argumentar"

Autor: Anthony Weston

Preço de Capa: 13.00 EURO
Nº de páginas: 147
Ano de Edição: 1996
Editora: Gradiva

Tradução: Desidério Murcho
ISBN: 972-662-441-x







Índice


Prefácio
Introdução

I — A redacção de um argumento curto: algumas regras gerais
1. A distinção entre premissas e conclusão
2. Apresente as suas ideias numa ordem natural
3. Parta de premissas seguras
4. Use uma linguagem precisa, específica e concreta
5. Evite a linguagem tendenciosa
6. Use termos consistentes
7. Limite se a um sentido para cada termo

II — Argumentos com exemplos
1. Use mais do que um exemplo
2. São os exemplos representativos?
3. A informação de fundo é fundamental
4. Existem contra exemplos?

III — Argumentos por analogia
1. A analogia requer um exemplo que seja semelhante num aspecto relevante

IV — Argumentos de autoridade
1. As fontes devem ser citadas
2. São as fontes informadas?
3. São as fontes imparciais?
4. Compare as fontes
5. Ataques pessoais não desqualificam uma fonte

V — Argumentos acerca de causas
1. O argumento explica como a causa conduz ao efeito?
2. A conclusão propõe a causa mais razoável?
3. Os acontecimentos simultâneos não estão necessariamente relacionados
4. Acontecimentos correlacionados podem ter uma causa comum
5. Qualquer um de dois acontecimentos correlacionados pode causar o outro
6. As causas podem ser complexas

VI — Argumentos dedutivos
1. Modus ponens
2. Modus tollens
3. Silogismo hipotético
4. Silogismo disjuntivo
5. Dilema
6. Reductio ad absurdum
7. Argumentos dedutivos em vários passos

VII — A redacção de um ensaio argumentativo: A) A exploração do tema
1. Explore os argumentos de todos as posições
2. Interrogue e defenda cada premissa do argumento
3. Reveja e repense os argumentos à medida que emergem

VIII — A redacção de um ensaio argumentativo: B) Os pontos principais do ensaio 1. Explique a questão
2. Faça uma afirmação ou uma proposta definida
3. Desenvolva completamente os seus argumentos
4. Considere ojeccções possíveis
5. Considere alternativas

IX — A redacção de um ensaio argumentativo: C) Escrever o ensaio
1. Siga o seu esboço
2. A introdução deve ser breve
3. Apresente os seus argumentos um por um
4. Clarifique, clarifique, clarifique
5. Sustente objecções com argumentos
6. Não afirme mais do que mostrou

X — Falácias

Apêndice: a definição Estudo complementar Apêndice à edição portuguesa


Críticas e recensões:

05/03/2011

Os Sofistas

Antes dos Sofistas, os educadores da Grécia eram os poetas. Só no momento em que a recitação de Homero já não constitui o único alimento cultural dos Gregos é que a sofística poderá nascer; este momento coincidirá, como demonstrou Untersteiner, com a crise da civilização aristocrática. Mas são as instituições democráticas que permitirão o progresso da sofística, tornando-a de alguma maneira indispensável: a conquista do poder exige, de agora em diante, o perfeito domínio da linguagem e da argumentação: não se trata apenas de ordenar, há também que persuadir e explicar. É por isso que os Sofistas, como nota Jaeger,, que "saíam todos da classe média", foram, de uma maneira geral, mais favoráveis, parece, ao regime democrático. E claro que os seus alunos mais brilhantes foram aristocratas, mas foi porque a democracia escolheu, frequentemente, os seus chefes entre os aristocratas, e os jovens nobres que que frequentavam os sofistas eram os que aceitaram submeter-se às regras das instituições democráticas; os outros desinteressavam-se da vida política.
Por outro lado, os Sofistas foram profissionais do saber; os primeiros fizeram da ciência e do ensino o seu ofício e meio de subsistência; neste sentido, inauguraram o estatuto social do intelectual moderno. Parecem ter-se interessado por todos os ramos do saber, da gramática às matemáticas, mas estes "filómatos" não procuravam a transmissão de um saber teórico: visavam a formação política de cidadãos escolhidos.
Finalmente, foram pensadores itinerantes, encontrando, apesar de tudo em Atenas o teatro mais prestigiado do seu sucesso. Ensinando de cidade em cidade, adquirem da vida itinerante um sentido penetrante do relativismo, o primeiro exercício do pensamento crítico. O seu estatuto, de alguma maneira internacional, fê-los sair do quadro apertado da cidade e explica a descoberta do individualismo. Favorecem, de certo modo fisicamente, a circulação das ideias, e é talvez este trabalho de pôr em circulação que faz com que Platão, para os caracterizar, empregue de preferência metáforas comerciais e monetárias. Garnet mostra exactamente que, entre as definições platónicas do sofista, no Sofista haja três, isto é, metade, que se relacionam com a actividade mercantil.

Gilbert Romeyer-Dherbey, Os Sofistas, Edições 70

03/03/2011

Gilbert Romeyer-Dherbey, "Os Sofistas"

Ficha Técnica:

Título original: Les sophistes
Presses Universitaires de France
Tradução de João Amado
Edições 70
ISBN 9789724406497


Índice:

09/01/2011

Tese

Este termo deriva dos textos lógicos de Aristóteles, nos quais se encontra com dois significados principais:

1.º  para designar o que o interlocutor põe no início de uma dissertação como assunção sua;

2.º para designar uma proposição assumida como princípio.

Esses dois significados conservaram-se na tradição filosófica. O primeiro encontra-se já em Platão, e, segundo tradição relatada por Diógenes Laércio, Protágoras teria sido o primeiro a mostrar como apoiar uma tese em argumentos. Na terminologia dos lógicos medievais e dos matemáticos prevaleceu esse significado: a tese designa uma proposição que se pretende demonstrar.

Com Kant, esse termo adquiriu novo valor filosófico: nas antinomias da razão pura "tese" é o enunciado afirmativo da antinomia.

Na dialética pós-kantiana, o momento da tese é o elemento positivo ou de posição, portanto inicial, do processo ou do desenvolvimento dialético.

Nicola Abbagnano, Dicionário de Filosofia

07/01/2011

Sofística



1. Aristóteles chamou de sofística "a sabedoria (sapientia) aparente mas não real", e esse passou a indicar a habilidade de aduzir argumentos capciosos ou enganosos.
2. Em sentido histórico, a sofística é a corrente filosófica preconizada pelos sofistas, mestres de retórica e cultura geral que exerceram forte influência sobre o clima intelectual grego entre os sécs. V e IV a.C. A sofística não é uma escola filosófica, mas uma orientação genérica que os sofistas. acataram devido às exigências de sua profissão. Seus fundamentos podem ser assim resumidos:

- 1.º O interesse filosófico concentra-se no homem e em seus problemas, o que os sofistas tiveram em comum com Sócrates.

- 2.º O conhecimento reduz-se à opinião e o bem, à utilidade. Conseqüentemente, reconhece-se da relatividade da verdade e dos valores morais, que mudariam segundo o lugar e o tempo.

- 3.º Erística: habilidade em refutar e sustentar ao mesmo tempo teses contraditórias.

- 4.º Oposição entre natureza e lei; na natureza, prevalece o direito do mais forte.

Nem todos os sofistas defendem essas teses: os grandes sofistas da época de Sócrates (Protágoras e Górgias) sustentaram principalmente as duas primeiras. As outras foram apanágio da segunda geração de sofistas.

Nicola Abbagnano, Dicionário de Filosofia

05/01/2011

Argumento

1. Num primeiro significado, A. é qualquer razão, prova, demonstração, indício, motivo capaz de captar o assentimento e de induzir à persuasão ou à convicção. A. comuns ou típicos ou esquemas de A. são os lugares  que constituem o objeto dos Tópicos de Aristóteles. Cícero, com efeito, definia os lugares como as sedes das quais provêm os argumentos, que são "as razões que dão fé de uma coisa duvidosa". O significado generalíssimo da palavra "argumento" também é esclarecido pela definição de S. Tomás: "argumento é o que convence  a mente a assentir em alguma coisa", e pela de Pedro Hispano, que retoma a expressão de Cícero: "argumento é uma razão que dá fé de uma coisa duvidosa". No mesmo sentido, essa palavra é usada por Locke na definição da probabilidade, que existe quando "existem argumentos ou provas capazes de fazer uma proposição passar por verdadeira ou de ser aceita como verdadeira". E Hume, por sua vez, dividia os argumentos em demonstrações (puramente conceituais), provas (empíricas) e probabilidades. Nesse sentido, argumento é qualquer coisa que "dá fé" segundo a excelente expressão de Cícero, isto é, que de algum modo produza um grau qualquer de persuasão.

2. No segundo significado entende-se por argumento o tema ou o objeto, o assunto de um discurso qualquer, aquilo em torno de que o discurso versa ou pode versar.

Nesse sentido, argumento é o que preenche o espaço vazio de uma função ou aquilo a que uma função deve ser aplicada para que tenha determinado valor. Essa palavra foi usada pela primeira vez nesse sentido por G. FREGE.

Nicola Abbagnano, Dicionário de Filosofia

03/01/2011

A origem da Retórica

O verdadeiro fundador da retórica foi (...) Górgias Leontinos, que surgiu em Atenas, no ano de 427 a. C., como embaixador da sua cidade natal,e que desde logo causou a maior sensação, devido aos brilhantes e floreados discursos com que se dirigia aos atenienses a solicitar a sua ajuda. Muitos deles, fascinados pela sua oratória, tornaram-se seus discípulos, fazendo de Górgias o primeiro professor de Retórica de que há conhecimento. Para Górgias, a oratória deveria excitar o auditório até o deixar completamente persuadido. Não lhe interessava uma eventual verdade objectiva, mas tão somente o consentimento dos ouvintes. Para o efeito, o orador deveria ter em conta a oportunidade do lugar e do momento, para além de saber adaptar-se ao carácter dos que o escutassem. Mas, sobretudo, teria de usar uma linguagem brilhante e poética, cheia de efeitos, figuras e ritmos. Ele foi, pode dizer-se, o introdutor de uma oratória de exibição ou de aparato, sem obediência  a qualquer finalidade política ou forense e orientada fundamentalmente para fazer realçar o próprio orador. Neste aspecto, em nada se afastava de outros sofistas do seu tempo.

Américo de Sousa, "A Persuasão", UBI

01/01/2011

O que é a Retórica?

RETÓRICA (in. Rhetoric; fr. Rhétorique, ai. Rhetorik, it. Retórica). Arte de persuadir com o uso de instrumentos lingüísticos. A R. foi a grande invenção dos sofistas, e Górgias de Leontinos foi um de seus fundadores (séc. V a.C).

10/09/2009

Argumentação - Anthony Weston

Algumas pessoas pensam que argumentar é apenas expor os seus preconceitos de uma forma nova. É por isso que muitas pessoas pensam também que os argumentos são desagradáveis e inúteis. Argumentar pode confundir se com discutir. Neste sentido, dizemos por vezes que duas pessoas discutem, como numa espécie de luta verbal. Acontece muito. Mas não é isso o que os argumentos realmente são.Neste livro «apresentar um argumento» quer dizer oferecer um conjunto de razões a favor de uma conclusão ou oferecer dados favoráveis para uma conclusão. Neste livro, um argumento não é apenas a afirmação de certos pontos de vista, e não é apenas uma disputa. Os argumentos são tentativas de apoiar certos pontos de vista com razões.


Neste sentido, os argumentos não são inúteis; na verdade, são essenciais. Os argumentos são essenciais, em primeiro lugar, porque são uma forma de tentar descobrir quais os melhores pontos de vista. Nem todos os pontos de vista são iguais. Algumas conclusões podem ser apoiadas com boas razões; outras, com razões menos boas. Mas muitas vezes não sabemos quais são as melhores conclusões. Precisamos de apresentar argumentos para apoiar diferentes conclusões, e depois avaliar tais argumentos para ver se são realmente bons. Neste sentido, um argumento é uma forma de investigação. Alguns filósofos e activistas argumentaram, por exemplo, que criar animais só para fornecer carne causa um sofrimento imenso aos animais e que, portanto, isso é injustificado e imoral. Será que eles têm razão? Não se pode decidir consultando os preconceitos que se têm. Estão envolvidas muitas questões. Temos obrigações morais para com outras espécies, por exemplo, ou é só o sofrimento humano que é realmente mau? Podem os seres humanos viver realmente bem sem carne? Alguns vegetarianos viveram até idades muito avançadas. Será que este facto mostra que as dietas vegetarianas são mais saudáveis? Ou é esse facto irrelevante, considerando que alguns não vegetarianos também viveram até idades muito avançadas? (É melhor perguntar se uma percentagem mais elevada de vegetarianos vivem até idades avançadas.) Talvez as pessoas mais saudáveis tenham tendência para se tornarem vegetarianas, ao contrário das outras? Todas estas questões têm de ser consideradas cuidadosamente, e as respostas não são, à partida, óbvias. Os argumentos também são essenciais por outra razão. Uma vez chegados a uma conclusão bem apoiada por razões, os argumentos são a maneira pela qual a explicamos e defendemos. Um bom argumento não se limita a repetir as conclusões. Em vez disso, oferece razões e dados para que as outras pessoas possam formar a sua própria opinião. Se o leitor ficar convencido que devemos realmente mudar a forma como criamos e usamos os animais, por exemplo, terá de usar argumentos para explicar como chegou a essa conclusão: é assim que convencerá as outras pessoas. Ofereça as razões e os dados que o convenceram a si. Ter opiniões fortes não é um erro. O erro é não ter mais nada.

Anthony Weston, A arte de argumentar, tr. Desidério Murcho, Gradiva, 1996, pp. 13-15.



08/09/2009

Lógica e argumentação - Desidério Murcho

A Argumentação é um instrumento sem o qual não podemos compreender melhor o mundo nem intervir nele de modo a alcançar os nossos objectivos; não podemos sequer determinar com rigor quais serão os melhores objectivos a ter em mente. Os seres humanos estão sós perante o universo; têm de resolver os seus problemas, enfrentar dificuldades, traçar planos de acção, fazer escolhas. Para fazer todas estas coisas precisamos de argumentos. Será que a Terra está imóvel no centro do universo? Que argumentos há a favor dessa ideia? E que argumentos há contra ela? Será que Bin Laden é responsável pelo atentado de 11 de Setembro? Que argumentos há a favor dessa ideia? E que argumentos há contra? (…) O que é a consciência? Será que alguma vez houve vida em Marte? Queremos respostas a todas estas perguntas e a muitas mais. Mas as respostas não nascem das árvores nem dos livros estrangeiros; temos de ser nós a procurar descobri-las. Para descobri-las temos de usar argumentos. E quando argumentamos podemos enganar-nos; podemos argumentar bem ou mal. É por isso que a lógica é importante. A lógica permite-nos fazer o seguinte:
1) Distinguir os argumentos correctos dos incorrectos;
2) Compreender por que razão uns são correctos e outros não; e
3) Aprender a argumentar correctamente.
Os seres humanos erram. E não erram apenas no que respeita à informação de que dispõem. Erram também ao pensar sobre a informação de que dispõem, ao retirar consequências dessa informação, ao usar essa informação na argumentação. Muitos argumentos incorrectos não são enganadores: são obviamente incorrectos. Mas alguns argumentos incorrectos parecem correctos. Por exemplo, muitas pessoas sem formação lógica aceitariam o seguinte argumento:
Tem de haver uma causa para todas as coisas porque todas as coisas têm uma causa
Contudo este argumento é incorrecto. A lógica ajuda-nos a perceber por que razão este argumento é incorrecto, apesar de parecer correcto. Chama-se “válido” a um argumento correcto e “inválido” a um argumento incorrecto.


Desidério Murcho, O lugar da Lógica na Filosofia, Plátano, 2003, pp. 9, 10.

12/07/2009

O que é a verdade? - Nietzsche

Que é então a verdade? Um exército móvel de metáforas, de metonímias, de antropomorfismos, numa palavra, uma soma de relações humanas que foram poética e retoricamente intensificadas, transpostas e adornadas e que depois de um longo uso parecem a um povo fixas, canónicas e vinculativas: as verdades são ilusões que foram esquecidas enquanto tais, metáforas que foram gastas e que ficaram esvaziadas do seu sentido, moedas que perderam o seu cunho e que agora são consideradas, não já como moedas, mas como metal.

Nietzsche, Acerca da verdade e da mentira no sentido extramoral, tr. Helga H. Quadrado, Relógio d’água, p. 221.

25/06/2009

Bill O'Reilly entrevista Richard Dawkins

O muito crente Bill O'Reilly entrevista o ateu Dawkins.



Alguém mais notou a profunda ignorância filosófica de O'Reilly?

Note-se:
1. Os fenómenos da natureza dependem da vontade de um Ser Superior?
2. Basta termos uma crença justificada para que ela se torne verdade?
3. O Bem moral depende de uma fundamentação religiosa?
4. A "verdade subjectiva" da crença em Jesus a que se refere O'Reilly é suficiente para garantir a sua universalidade?
5. Deve o poder político estar submetido a uma religião?
6. Deve o poder político submeter os cidadãos a uma religião como forma de garantir a sua felicidade?
7. O comportamento moral é uma consequência da crença religiosa?

01/06/2009

Da violência à persuasão, da lei do mais forte à argumentação


«Aquilo que é excepcional (...) e que constitui um marco na história da humanidade, é que se tivesse permitido, em matérias fundamentais reservadas à tradição religiosa e aos seus porta-palavra, que o uso da força pudesse ter sido substituído pelo da persuasão, que se tenham podido colocar questões e receber explicações, avançar opiniões e submetê-las à crítica de outrem. O recurso ao logos, cuja força convincente dispensaria o recurso à força física, permitindo substituir a submissão pelo acordo, constituiu, desde Sócrates, o ideal secular da Filosofia. Este ideal de racionalidade esteve associado, desde então, à busca individual da sabedoria e à comunhão de
espíritos fundada sobre o saber. Como, graças à razão, dominar as paixões e evitar a violência? Quais são as verdades e os valores sobre os quais seria possível esperar o acordo de todos os seres dotados de razão? Eis o ideal desejado de todos os pensadores da grande tradição filosófica do Ocidente.»

Chaïm Perelman, Le Champ de l'Argumentation, Éditions de L’Université, Bruxelles, 1970