Novo endereço

pdf

pdf

16/12/2013

Idea y Proyecto. La Arquitectura de la Vida (Ideia e Projeto. A Arquitetura da Vida)

Autores: Jorge Humberto Dias e José Barrientos Rastrojo

Indice

Prefácio de Peter Raabe (professor de Aconselhamento Filosófico na Fraser Valley University – Canadá)

 A Orientação Filosófica segundo José Barrientos

I – Da Filosofia da Vida à Vida da Filosofia
II – O ensaio filosófico como modelo para a Orientação Filosófica – Materialidade
III - O ensaio filosófico como modelo para a Orientação Filosófica – Formalidade
IV - O ensaio filosófico como modelo para a Orientação Filosófica – “Capacidades e Relatório  Quixote”

 A Consulta Filosófica segundo Jorge Dias

I – Da preocupação pelo sentido à necessidade de um Projeto de Vida
I.1. Introdução
I.2. Mitos
I.3. Ilusões
I.4. O desespero pela utilidade
I.5. Filosofia do conflito
I.6. Condições para o (re)nascimento da Filosofia

II – Dos problemas aos métodos
II.1. Introdução
II. 2. A filosofia não está em todo o lado
II.3. Onde es tão os problemas filosóficos?
II. 4. O método PROJECT@
II. 5. O método IPSE

III. Casos-de-consulta portugueses

IV. Casos-de-consultas espanhóis

13/12/2013

Relativismo cultural



O relativismo cultural, como tem sido chamado, desafia a nossa crença habitual na objetividade e universalidade da verdade moral. Afirma, com efeito, que não existe verdade universal em ética; existem apenas os vários códigos morais e nada mais. Além disso, o nosso próprio código moral não tem um estatuto especial: é apenas um entre muitos. [...] 

A primeira coisa que precisamos de fazer notar é que no âmago do relativismo cultural está uma certa forma de argumento. A estratégia usada pelos relativistas culturais é argumentar, a partir de factos sobre as diferenças entre perspetivas culturais, a favor de uma conclusão sobre o estatuto da moralidade [como se segue].

1. Culturas diferentes têm códigos morais diferentes.
2. Logo, não há uma «verdade» objetiva na moralidade. Certo e errado são apenas questões de opinião e as opiniões variam de cultura para cultura.

Podemos chamar a isto o argumento das diferenças culturais. Para muitas pessoas é persuasivo. Mas, de um ponto de vista lógico, será sólido? Não é sólido. O problema é que a conclusão não se segue da premissa – isto é, mesmo que a premissa seja verdadeira, a conclusão pode continuar a ser falsa. A premissa diz respeito àquilo em que as pessoas acreditam – em algumas sociedades as pessoas acreditam numa coisa; noutras sociedades acreditam noutra. A conclusão, no entanto, diz respeito ao que na verdade se passa. O problema é que este tipo de conclusão não se segue logicamente deste tipo de premissa. [...]

Para tornar este aspeto mais claro, considere-se um tema diferente. Em algumas sociedades as pessoas acreditam que a Terra é plana. Noutras sociedades, como a nossa, as pessoas acreditam que a Terra é (aproximadamente) esférica. Segue-se daqui, do mero facto de as pessoas discordarem, que não há «verdade objetiva» em geografia? Claro que não; nunca chegaríamos a tal conclusão, porque percebemos que, nas suas crenças sobre o mundo, os membros de algumas sociedades podem simplesmente estar errados. Não há qualquer razão para pensar que se o mundo é redondo, todos têm de saber disso. Da mesma maneira, não há qualquer razão para pensar que, se existe uma verdade moral, todos têm de conhecê-la. O erro fundamental no argumento das diferenças culturais é que tenta derivar uma conclusão substancial sobre um tema partindo do mero facto de as pessoas discordarem a seu respeito.

James Rachels, Elementos de Filosofia Moral, trad. port. F. J.  Azevedo Gonçalves, Lisboa, Gradiva, 2002, pp. 36-39