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24/11/2013

John Rawls (1921-2002)

Assinalam-se hoje onze anos do falecimento de John Rawls, o pensador mais relevante do século XX em Filosofia Social e Política. Tão importante foi o seu trabalho e as repercussões que teve no domínio da filosofia política que se pode dizer que existe nesta área filosófica um antes e um depois de Rawls. João Cardoso Rosas [Rosas, 2012] identifica mesmo uma forma de fazer filosofia política pós rawlsiana, considerando existir uma espécie de paradigma de reflexão rawlsiano nesta área filosófica. Paradigma não programático, mas de índole, digamos, metodológica. O que o caracteriza é uma ligação estreita da reflexão à realidade, à exequibilidade das propostas teóricas. Não num sentido platónico, em que o filósofo estaria num posto demiúrgico entre a verdade e a aplicação social de medidas políticas, mas num sentido contratualista, em que a justificação política é um trabalho de todos. 
Assim se entende melhor uma outra característica desta abordagem reflexiva: é uma atividade de «problem-solving», de resolução de problemas com uma orientação prática muito clara. Este paradigma rawlsiano de reflexão filosófica sobre a política apresenta se como uma reconciliação entre o pluralismo social e as instituições da sociedade que devem proteger e promover essa diversidade. Dessa forma poder-se-á entender a afirmação de que a filosofia política «perscruta os limites da possibilidade social», visitando as fronteiras entre o que existe e o que deve existir. Sem cair em utopismos, esta busca não deve perder de vista a mencionada exequibilidade: cada ideia deve ser suficientemente razoável para que a sua implementação seja expectável. 
Esta forma de fazer Filosofia Política não se restringe a Rawls, mas também não é universalmente adoptada. Mas o mais curioso é que se pensarmos na obra de autores como Sandel, Walzer, Nozick ou o próprio Rawls, iremos notar que as caraterísticas acima resumidas se encontram neles plasmadas claramente. 

10/11/2013

Fórum do "Páginas de Filosofia"

O PdF conta agora com um novo espaço: o fórum.

Estão disponíveis vários temas de conversação, obviamente de acordo com aquilo que os nossos visitantes quiserem discutir. Para melhor organização do espaço, foram criadas quatro linhas básicas de discussão: Geral, Dúvidas, Formação/Emprego/Investigação e uma sala de convívio para discutir outros assuntos.

É possível fazer login diretamente com qualquer uma das contas das redes sociais: Facebook, Twitter, Google+, etc.


Princípios subjacentes a uma boa formulação do pensamento

Resolva o exercício que se segue. Note que deve respeitar a grafia correta das palavras, nomeadamente os acentos e a distinção maiúsculas / minúsculas. É possível que este exercício não seja compatível com alguns browsers. Nesse caso, tente o Internet Explorer. Não se esqueça que o exercício só é resolúvel se estiver dentro do link do post e não na página inicial do blogue.
Princípios subjacentes a uma boa formulação do pensamento



Princípios subjacentes a uma boa formulação do pensamento

Exercício de preenchimento de espaços lacunares

Preencha os espaços lacunares, depois clique em "Check" para verificar as suas respostas. Utilize o botão "Hint" se quiser obter uma palavra com a qual esteja a ter dificuldades. Note que perderá pontos se recorrer a alguma dessas ajudas!


Para que o seja corretamente formulado, os filósofos seguem determinados princípios que garantam solidez, consistência e validade aos seus argumentos. Os princípios subjacentes a uma boa formulação do pensamento implicam o estudo de validade, solidez e consistência dos argumentos, contra-argumentos, contra-exemplos e falácias.
Existem vários tipos de argumentos: e não dedutivos. Os argumentos dedutivos são aqueles cuja depende exclusivamente da forma lógica; os argumentos não dedutivos são indutivos, como é o caso do argumento de autoridade e do argumento por analogia, além da própria indução. Segundo Desidério Murcho, “Um argumento dedutivo é válido quando é impossível que as suas premissas sejam verdadeiras e a sua conclusão falsa; se isso for possível, o argumento é inválido. Um argumento não dedutivo é válido quando é improvável, mas não impossível, que as suas premissas sejam verdadeiras e a sua conclusão falsa; se for provável, é inválido.”
Quando argumentamos, pretendemos que os nossos argumentos sejam sólidos e consistentes. A dos argumentos consiste em que sejam válidos e tenham premissas verdadeiras. Por exemplo, o argumento “Se todos os homens são mortais e Sócrates é um homem, então Sócrates é mortal” é um argumento válido e as suas premissas são verdadeiras. Mas o argumento “Se todos os homens são imortais e Sócrates é um homem, então Sócrates é imortal” é igualmente válido mas uma das suas premissas é notoriamente falsa. Logo, este argumento não é sólido. Já a diz respeito às premissas, quando podem ser simultaneamente verdadeiras. No exemplos anteriores, as premissas “Todos os homens são mortais” e “Sócrates é homem” são consistentes, mas as premissas “Sócrates é mortal” e “Sócrates é imortal” são inconsistentes.
A contradição também é uma inconsistência, mas é preciso notar que nem todas as inconsistências são contradições.
Uma das formas mais utilizadas em Filosofia para refutar é através do contra-exemplo. O é um exemplo que mostra que determinada afirmação é falsa. Por exemplo, quando se defende que os animais não têm direitos porque não têm deveres, e só pode ter direitos quem também tem , o contra-exemplo a apresentar é que os recém-nascidos também não têm deveres, e contudo têm .
O contra-argumento é uma forma de a argumentação do nosso opositor. Para tal, é necessário demonstrar que as não apoiam a conclusão, que pelo menos uma das premissas é falsa ou que a conclusão é falsa ou contraditória.
Para argumentar, devemos evitar . Falácias são argumentos maus que parecem bons. Os argumentos que parecem válidos ou aqueles que têm premissas falsas que parecem verdadeiras são argumentos falaciosos.

09/11/2013

A dimensão discursiva do trabalho filosófico

Resolva o exercício que se segue. Note que deve respeitar a grafia correta das palavras, nomeadamente os acentos e a distinção maiúsculas / minúsculas. É possível que este exercício não seja compatível com alguns browsers. Nesse caso, tente o Internet Explorer. Não se esqueça que o exercício só é resolúvel se estiver dentro do link do post e não na página inicial do blogue.
A dimensão discursiva do trabalho filosófico

A dimensão discursiva do trabalho filosófico

Exercício de preenchimento de espaços lacunares

Preencha os espaços lacunares, depois clique em "Check" para verificar as suas respostas. Utilize o botão "Hint" se quiser obter uma palavra com a qual esteja a ter dificuldades. Note que perderá pontos se recorrer a alguma dessas ajudas!


De acordo com a definição estudada, a é uma atividade reflexiva, que coloca / problemas, aos quais procura responder clarificando , produzindo juízos (teses) que defende com base em de forma crítica e racional. Portanto, a filosofia tem uma dimensão discursiva, que consiste na produção de textos, troca de argumentos, narrativas, nas quais se produzem juízos, se defendem e se utilizam instrumentos lógicos e linguísticos. Os conceitos essenciais desta dimensão discursiva do trabalho filosófico são: problemas, teses, , e os processos de refutação, persuasão e interpretação.

Os filosóficos são abrangentes, existenciais e não empíricos / apriori, isto é, não dependem da experimentação.
As são proposições ou teorias que os filósofos apresentam em resposta a um determinado problema. Para formular as suas teses, os filósofos procedem muito frequentemente à atribuição de significado a objetos, acontecimentos, textos ou discursos, e nesse caso estamos no domínio da . Alguns filósofos ressalvam que a interpretação, por oposição à experimentação, é o método próprio das ciências humanas, pelo que defendem que a interpretação é a tarefa essencial da filosofia. Contudo, não podemos ignorar que a tarefa do filósofo não é interpretar textos, mas sim discutir e avaliar racionalmente os problemas, as teorias e os argumentos da filosofia.
Os são conjuntos de proposições estruturadas de tal forma que a conclusão é sustentada pelas premissas.
Ao argumentar, desejamos persuadir os nossos interlocutores. A um dos elementos da argumentação, visando exercer influência sobre um auditório, de modo a obter a sua adesão às teses que são apresentadas.
A o outro elemento da argumentação, consistindo na tentativa de rebater as teses contrária à nossa tese (contra-argumentação). É a desconstrução dos argumentos contrários aos nossos, evidenciando as suas contradições ou insuficiências. A refutação deve evidenciar a fragilidade, a falta de credibilidade e as contradições do adversário e demonstrar que a aceitação das teses adversárias conduz a conclusões absurdas, logo inaceitáveis.


Obras de filosofia em acesso aberto

É frequente surgirem muitas partilhas nas redes sociais com livros para download. No caso específico da filosofia, são referenciados muitos sites - aliás, uma simples pesquisa no google permite encontrar centenas de sites que oferecem livros gratuitos.

A verdade é que a maioria desses sites não está senão a desrespeitar direitos de autor. Através dos famosos "torrents"e outros sites de partilha, são disponibilizados livros para download sem qualquer respeito para com os direitos autorais. Isto é francamente mau, pois implica partir do princípio que o trabalho intelectual não tem valor e não deve ser remunerado. Mas os próprios autores podem ter interesse em divulgar  a sua obra, no todo ou em parte, por motivos igualmente comerciais. Trata-se de uma estratégia na qual parte dos conteúdos são disponibilizados gratuitamente e outra parte está disponível mediante pagamento.

O que está a acontecer com a indústria dos livros é o mesmo que se passou com a discográfica e com o cinema - e não é claro que alguma delas tenha conseguido recuperar ou adaptar-se aos novos canais de distribuição. Enquanto passamos por este processo de mudança, pode sempre optar por escolher sites que possuem licenças Creative Commons ou similares, como é o caso do Páginas de Filosofia, ou fazer download apenas de obras que estejam em domínio público. Eis alguns exemplos:


Boas leituras!

Elementos centrais do discurso filosófico

Resolva o exercício que se segue. Note que deve respeitar a grafia correta das palavras, nomeadamente os acentos e a distinção maiúsculas / minúsculas. É possível que este exercício não seja compatível com alguns browsers. Nesse caso, tente o Internet Explorer. Não se esqueça que o exercício só é resolúvel se estiver dentro do link do post e não na página inicial do blogue. Os elementos centrais do discurso filosófico

Os elementos centrais do discurso filosófico

Exercício de preenchimento de espaços lacunares

Resolva o exercício que se segue. Note que deve respeitar a grafia correta das palavras, nomeadamente os acentos e a distinção maiúsculas / minúsculas. É possível que este exercício não seja compatível com alguns browsers. Nesse caso, tente o Internet Explorer. Não se esqueça que o exercício só é resolúvel se estiver dentro do link do post e não na página inicial do blogue.

O discurso assenta em alguns elementos fundamentais: , e . Frequentemente, afirma-se de forma simplista que a expressão verbal/linguística desses elementos são os termos, os juízos e os argumentos . Contudo, esta distinção não é tão simples quanto possa parecer, como se pode ler em http://criticanarede.com/fil_conceitosjuizos.html
Os conceitos são os elementos básicos do nosso : todos possuímos um conceito de cidade, bola, tigre, ser humano.
Os estabelecem a relação entre dois conceitos, dos quais um é e outro , através de uma . Por exemplo, na proposição “Sócrates é mortal”, "Sócrates” e “Mortal” são os termos entre os quais exprimimos uma relação com a cópula “é” (verbo ser, em português). Essa pode ser uma relação de ou de não conveniência, se disser “Sócrates não é mortal”. A o pensamento expresso literalmente por uma frase declarativa.
O um processo de inferência. Consiste em concluir algo a partir de outras . Um argumento é uma inferência na qual se retira uma conclusão a partir de determinadas premissas. Por exemplo, no raciocínio “Uma vez que todos os homens são mortais e que é sabido que Sócrates é um homem, então Sócrates é mortal”, encontramos duas e uma : “Todos os homens são mortais. Sócrates é homem. (premissas) Sócrates é mortal. (conclusão)”