24/09/2011

Orientações e Exame


Este ano é reintroduzido o exame de filosofia como uma opção para os estudantes no 11º ano.  Nunca se tinha verdadeiramente compreendido a abolição do exame dado que era requerido por mais de 300 cursos superiores como parte dos seus critérios de admissão. Aquando da sua primeira encarnação (2006-2007) foi produzido um documento chamado Orientações para a Lecionação do Programa (OLP) que pretendiam balizar a planificação dos temas programáticos para que esse exame pudesse ser implementado sem provocar injustiças decorrentes de diferentes abordagens (legítimas até então, diga-se) ao programa por parte dos professores. Quando inexplicavelmente o exame foi abolido, as OLP deixaram de ter caráter obrigatório. Julgamos ser essa a situação atual, pois desconhecemos que exista alguma indicação para se tomar novamente esse documento como válido.
A questão que aqui deixamos é se não seria avisado revalidar essas OLP, ou elaborar um documento semelhante. Se tal documento está já a ser preparado, deveria ser divulgado o mais depressa possível para os professores adaptarem as suas planificações e lecionação em tempo útil. Deixamos também o desejo que esse tal documento que aguardamos não seja tão parco em informação como aquele que acompanhou a prova intermédia do ano passado.

14/09/2011

David Hume - Das ideias da memória e da imaginação

Constatamos pela experiência que, quando uma impressão esteve na mente, volta lá a aparecer sob a forma de ideia, podendo isto acontecer de duas maneiras diferentes: ou ela, no seu novo aparecimento, conserva um grau considerável de vivacidade primitiva, sendo algo intermédio entre impressão e ideia; ou perde totalmente essa vivacidade e é uma ideia perfeita. As faculdades mediante as quais repetimos as nossas impressões de cada uma destas maneiras, chamam-se respectivamente MEMÓRIA e IMAGINAÇÃO. É imediatamente evidente que as ideias da memória são muito mais vivazes e mais fortes do que as da imaginação, e que a primeira destas faculdades pinta os seus objectos com cores mais nítidas do que as empregadas pela segunda. Quando recordamos um acontecimento passado, a ideia dele penetra na mente com força; enquanto que na imaginação a percepção é ténue e apagada e não é sem dificuldade que a mente a pode conservar, por tempo considerável, firme e uniforme. Aqui temos uma diferença sensível entre uma e outra espécie de ideias.
David Hume, Tratado da Natureza Humana, tr. Serafim Fontes, Gulbenkian, p. 37. (Livro I, Secção III)