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31/01/2011

Cepticismo - A. C. Grayling

O estudo e o emprego dos argumentos cépticos, em certo sentido, definem a epistemologia. Um objectivo central da epistemologia é determinar como podemos estar certos de que nossos meios para conhecer (aqui "conhecer" implica obrigatoriamente "crença justificada") são satisfatórios. Um modo preciso de mostrar o que é requerido é observar cuidadosamente os desafios cépticos aos nossos esforços epistémicos, desafios que sugerem que as maneiras pelas quais seguimos estão distorcidas. Se somos capazes de não apenas identificar mas, sim, enfrentar os desafios cépticos, um objectivo primário da epistemologia terá sido concretizado.

O cepticismo é frequentemente descrito como a tese de que nada é - ou, mais fortemente, pode ser - conhecido. Mas essa é uma má caracterização, porque se não conhecemos nada, então não podemos saber que não sabemos nada, e assim tal afirmação é trivialmente auto-refutante. É mais eficaz caracterizarmos o cepticismo do modo à frente sugerido. Ele é um desafio directo contra reivindicações de conhecimento, e a forma e a natureza do desafio variam segundo o campo da actividade epistémica em questão. Em geral, o cepticismo toma a forma de uma solicitação pela justificação das afirmações de conhecimento, em conjunto com um enunciado sobre as razões que motivam tal solicitação. Normalmente, as razões são de que certas considerações sugerem que a justificação proposta poderia ser insuficiente. Conceber o cepticismo de tal modo é vê-lo como mais problematizante e mais importante filosoficamente, do que se fosse descrito como uma tese positiva que afirma nossa ignorância ou incapacidade de conhecimento.

[Adaptado de uma tradução de Paulo Ghiraldelli Jr.]

09/01/2011

Tese

Este termo deriva dos textos lógicos de Aristóteles, nos quais se encontra com dois significados principais:

1.º  para designar o que o interlocutor põe no início de uma dissertação como assunção sua;

2.º para designar uma proposição assumida como princípio.

Esses dois significados conservaram-se na tradição filosófica. O primeiro encontra-se já em Platão, e, segundo tradição relatada por Diógenes Laércio, Protágoras teria sido o primeiro a mostrar como apoiar uma tese em argumentos. Na terminologia dos lógicos medievais e dos matemáticos prevaleceu esse significado: a tese designa uma proposição que se pretende demonstrar.

Com Kant, esse termo adquiriu novo valor filosófico: nas antinomias da razão pura "tese" é o enunciado afirmativo da antinomia.

Na dialética pós-kantiana, o momento da tese é o elemento positivo ou de posição, portanto inicial, do processo ou do desenvolvimento dialético.

Nicola Abbagnano, Dicionário de Filosofia

07/01/2011

Sofística



1. Aristóteles chamou de sofística "a sabedoria (sapientia) aparente mas não real", e esse passou a indicar a habilidade de aduzir argumentos capciosos ou enganosos.
2. Em sentido histórico, a sofística é a corrente filosófica preconizada pelos sofistas, mestres de retórica e cultura geral que exerceram forte influência sobre o clima intelectual grego entre os sécs. V e IV a.C. A sofística não é uma escola filosófica, mas uma orientação genérica que os sofistas. acataram devido às exigências de sua profissão. Seus fundamentos podem ser assim resumidos:

- 1.º O interesse filosófico concentra-se no homem e em seus problemas, o que os sofistas tiveram em comum com Sócrates.

- 2.º O conhecimento reduz-se à opinião e o bem, à utilidade. Conseqüentemente, reconhece-se da relatividade da verdade e dos valores morais, que mudariam segundo o lugar e o tempo.

- 3.º Erística: habilidade em refutar e sustentar ao mesmo tempo teses contraditórias.

- 4.º Oposição entre natureza e lei; na natureza, prevalece o direito do mais forte.

Nem todos os sofistas defendem essas teses: os grandes sofistas da época de Sócrates (Protágoras e Górgias) sustentaram principalmente as duas primeiras. As outras foram apanágio da segunda geração de sofistas.

Nicola Abbagnano, Dicionário de Filosofia

05/01/2011

Argumento

1. Num primeiro significado, A. é qualquer razão, prova, demonstração, indício, motivo capaz de captar o assentimento e de induzir à persuasão ou à convicção. A. comuns ou típicos ou esquemas de A. são os lugares  que constituem o objeto dos Tópicos de Aristóteles. Cícero, com efeito, definia os lugares como as sedes das quais provêm os argumentos, que são "as razões que dão fé de uma coisa duvidosa". O significado generalíssimo da palavra "argumento" também é esclarecido pela definição de S. Tomás: "argumento é o que convence  a mente a assentir em alguma coisa", e pela de Pedro Hispano, que retoma a expressão de Cícero: "argumento é uma razão que dá fé de uma coisa duvidosa". No mesmo sentido, essa palavra é usada por Locke na definição da probabilidade, que existe quando "existem argumentos ou provas capazes de fazer uma proposição passar por verdadeira ou de ser aceita como verdadeira". E Hume, por sua vez, dividia os argumentos em demonstrações (puramente conceituais), provas (empíricas) e probabilidades. Nesse sentido, argumento é qualquer coisa que "dá fé" segundo a excelente expressão de Cícero, isto é, que de algum modo produza um grau qualquer de persuasão.

2. No segundo significado entende-se por argumento o tema ou o objeto, o assunto de um discurso qualquer, aquilo em torno de que o discurso versa ou pode versar.

Nesse sentido, argumento é o que preenche o espaço vazio de uma função ou aquilo a que uma função deve ser aplicada para que tenha determinado valor. Essa palavra foi usada pela primeira vez nesse sentido por G. FREGE.

Nicola Abbagnano, Dicionário de Filosofia

03/01/2011

A origem da Retórica

O verdadeiro fundador da retórica foi (...) Górgias Leontinos, que surgiu em Atenas, no ano de 427 a. C., como embaixador da sua cidade natal,e que desde logo causou a maior sensação, devido aos brilhantes e floreados discursos com que se dirigia aos atenienses a solicitar a sua ajuda. Muitos deles, fascinados pela sua oratória, tornaram-se seus discípulos, fazendo de Górgias o primeiro professor de Retórica de que há conhecimento. Para Górgias, a oratória deveria excitar o auditório até o deixar completamente persuadido. Não lhe interessava uma eventual verdade objectiva, mas tão somente o consentimento dos ouvintes. Para o efeito, o orador deveria ter em conta a oportunidade do lugar e do momento, para além de saber adaptar-se ao carácter dos que o escutassem. Mas, sobretudo, teria de usar uma linguagem brilhante e poética, cheia de efeitos, figuras e ritmos. Ele foi, pode dizer-se, o introdutor de uma oratória de exibição ou de aparato, sem obediência  a qualquer finalidade política ou forense e orientada fundamentalmente para fazer realçar o próprio orador. Neste aspecto, em nada se afastava de outros sofistas do seu tempo.

Américo de Sousa, "A Persuasão", UBI

02/01/2011

Exame Nacional de Filosofia 2011

Na "sondagem" que promovemos ao longo dos últimos dias, os leitores dividiram-se quanto à introdução do exame nacional de filosofia em 2011. Cumpre esclarecer que não se trata de uma sondagem mas apenas de uma auscultação da opinião dos leitores deste blogue acerca dessa possibilidade. As opções de voto (sim ou não) não contemplam as diferentes perspectivas em que cada votante se encontra: alguém pode estar de acordo com o exame mas em desacordo com a data, a estrutura ou as matérias sujeitas a avaliação; ou discordar da primeira e concordar com as restantes. Para melhor compreendermos as razões que assistem a cada um, convidámos os leitores a manifestar a sua opinião neste post.

Para mais informações sobre o exame, devem ser consultadas as seguintes páginas:


01/01/2011

O que é a Retórica?

RETÓRICA (in. Rhetoric; fr. Rhétorique, ai. Rhetorik, it. Retórica). Arte de persuadir com o uso de instrumentos lingüísticos. A R. foi a grande invenção dos sofistas, e Górgias de Leontinos foi um de seus fundadores (séc. V a.C).