24/11/2010

David Albert - A violência profunda do tempo

23/11/2010

A importância da filosofia

Uma discussão clara sobre a importância da filosofia. No programa Câmara Clara. A ver aqui.

19/11/2010

Exame de Filosofia

Público noticia esta manhã que o exame de Filosofia irá ser novamente introduzido e com carácter obrigatório. Ver notícia aqui.

18/11/2010

Dia Internacional da Filosofia

Ops! Quase nos acontecia o mesmo que a todos os meios de comunicação social deste país... o dia quase a acabar e nem uma nota de rodapé ao Dia Internacional da Filosofia. Festejam-se tantos dias que bem se podia festejar (ou apenas assinalar) o dia da actividade mental crítica que bem falta faz entre nós. Nas escolas, com mais ou menos profundidade, o dia é sempre assinalado, mas podia ter outra visibilidade global.
Sendo uma incicativa da Unesco deixamos aqui as explicações dos «porquês» e dos «quês» para eles, (mais precisamente aqui e aqui.)
Como se diz do Natal, que o Dia da Filosofia sejam todos os dias.

03/11/2010

A discussão filosófica e o equilíbrio reflectido – Harry Brighouse #2

Dado que nem a autoridade nem a prova empírica são decisivas, como fazemos?
Como foi atrás sugerido, o método que muitos filósofos contemporâneos usam é o que Rawls chama equilíbrio reflectido. Este método convida-nos a abordar questões sobre a moralidade, e questões filosóficas em geral, da seguinte maneira. Tomando um tema como a justiça, ou o castigo, ou a mentira, listamos a princípio os nossos juízos sobre casos particulares específicos, e vemos se todos eles se adaptam de forma consistente. Onde concluirmos que não se adaptam, rejeitamos os juízos nos quais temos menor confiança (por exemplo, aqueles em que temos razões para suspeitar de que há um elemento de interesse próprio a pressionar-nos no sentido desse juízo). Listamos também os princípios gerais, ou regras, que achamos adequados a cobrir casos, e procuramos ver se esses princípios também se encaixam, rejeitando uma vez mais os princípios nos quais temos menos confiança. Depois olhamos para os juízos e para os princípios à luz uns dos outros – adaptam-se uns aos outros? Parecerão alguns dos princípios menos plausíveis à luz do peso dos juízos, ou vice-versa?
Claro que tudo o que este método nos dá, na melhor das hipóteses, é uma série consistente de juízos. Mas se nos empenharmos colectivamente no processo, em conversa com outras pessoas tão racionais como nós, podemos ter cada vez mais confiança na verdade dos resultados. Outras pessoas podem trazer conclusões de que não nos apercebemos; podem alertar-nos para fraquezas dos nossos próprios julgamentos; podem obrigar-nos a pensar mais e melhor. Se convergirmos em conclusões sobre determinados casos com pessoas com quem de outra forma discordamos bastante, deveremos ter ainda mais confiança nos nossos juízos. Não podemos nunca ter a certeza de termos chegado a uma visão final e verdadeira da justiça, ou do castigo, ou da mentira. Mas este método permite-nos pelo menos fazer alguns progressos.
Harry Brighouse, «Porque é que uma clínica de discussão é menos tonta do que uma clínica de insultos ou uma clínica de contradições?» in A filosofia segundo Monty Python, Gary Hardcastle e George Reisch, tr. José Pedro Barreto, Estrela Polar, pp. 70, 71.

02/11/2010

A discussão filosófica e o equilíbrio reflectido – Harry Brighouse

O que constitui uma discussão filosófica? Como é que alguém constrói uma? (…) Pretendo descrever como é que os filósofos constroem discussões, concentrando-se num determinado método popularizado pelo filósofo americano John Rawls (1926-2002), conhecido como equilíbrio reflectido.
A filosofia é o estudo sistemático de perguntas, cujas respostas não podem ser determinadas simplesmente pela recolha de dados da observação do mundo e construindo hipóteses sobre esses dados. (…)
O meu interesse particular vai para a filosofia moral, o campo da filosofia que põe questões sobre como devemos viver as nossas vidas, e o que constitui a bondade. Trata de grandes questões como «O que é que torna florescente uma vida humana?»; «O valor moral das acções reside nas suas consequências ou nos motivos por detrás delas?»; «Serão o estado das coisas ou o carácter das pessoas os supremos portadores de valor?»; e também questões muito mais específicas como «Será o aborto moralmente errado?» ou «Será alguma vez legítimo mentir?».
Estas perguntas não podem ser simplesmente respondidas reunindo provas empíricas ou científicas. Então, como tentamos nós encontrar as respostas para elas? A Filosofia rejeita apelos à autoridade. (…)
Dado que nem a autoridade nem a prova empírica são decisivas, como fazemos?
Harry Brighouse, «Porque é que uma clínica de discussão é menos tonta do que uma clínica de insultos ou uma clínica de contradições?» in A filosofia segundo Monty Python, Gary Hardcastle e George Reisch, tr. José Pedro Barreto, Estrela Polar, pp. 69, 70.

Monty Python - A clínica da discussão