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29/01/2010

Intenção

[Em sentido moral:] 1. Disposição de espírito que faz com que nos proponhamos atingir um fim ou agir conforme uma regra. 2. O próprio fim que se visa. 3. Direcção da intenção: acção de referir os seus actos ou palavras a um fito que lhes confere um valor moral; donde, acção de legitimar o que há de repreensível num acto pela intenção louvável que levou a praticá-lo.


Armand Cuvillier, Vocabulário de Filosofia, Livros Horizonte

25/01/2010

Fim

[Epistemologia e Metafísica:] 1. Aquilo por que uma coisa é ou se faz; aquilo a que ela tende, consciente ou inconscientemente: "Vós não desviareis nenhum ser do seu fim" (La Fontaine). Existem fins na natureza que a razão não poderia desconhecer" (Bonnet). 2. Fito, aquilo a que tende um acto, consciente e intencionalmente. "Aquilo que é desejado por amor a isso mesmo e por sua própria bondade chama-se fim" (Bossuet). "Estamos expostos a engano quando queremos determinar os fins ou ditames de Deus" (Leibniz)

Armand Cuvillier, Vocabulário de Filosofia, Livros Horizonte

22/01/2010

David Hume – Da natureza das crenças

Assim todo o raciocínio provável não é senão uma espécie de sensação. Não é somente em poesia e música que devemos seguir o nosso gosto e sentimento, mas igualmente em filosofia. Quando estou convencido de um princípio qualquer é apenas uma ideia que me fere mais fortemente. Quando dou preferência a uma série de argumentos e relação a outra, não faço outra coisa senão decidir de acordo com o que sinto relativamente à superioridade da sua influência.
David Hume, Tratado da Natureza humana, tr. Serafim da Silva Fontes, Calouste Gulbenkian, p. 140.

21/01/2010

Acção

[Em sentido moral e metafísico:] Conjunto de todos os nossos actos e, principalmente, dos nossos actos voluntários; conduta humana.

[Citações:]
Maurice Blondel: "A acção é a síntese do querer do conhecer e do ser"; "Cumpre distinguir diversos tipos da palavra acção. Existe a acção prática, a acção discursiva e a acção profunda. A primeira gera o senso comum; a segunda regula a ciência; a terceira é que deve servir como critério em Filosofia"

Armand Cuvillier, Vocabulário de Filosofia

20/01/2010

18/01/2010

O fim da pobreza - Jeffrey Sachs

Um dos temas que incluo sempre na lista de opções para os meus alunos trabalharem o seu pequeno ensaio filosófico é a questão da obrigação moral dos ricos ajudarem os pobres. O fim-de-semana passado tropecei neste livro no Jumbo da Maia por apenas 5€ (O livro tem 542 páginas e na wook o seu preço é de 28,50€): «O fim da pobreza – como consegui-lo na nossa geração», de Jeffrey Sachs. O autor é director do Instituto da Terra, Professor na Universidade de Columbia, foi conselheiro especial do secretário-geral das nações unidas Kofi Annan, etc.; um currículo centrado nas questões económicas globais, na luta contra a pobreza, a doença, a fome e a dívida dos países do terceiro mundo. O livro é de 2005, mas pelo que já li, permanece actual. A sua importância maior não é directamente filosófica, mas sim informativa. O autor apresenta centenas de dados e informações relevantes para reflectirmos sobre a existência ou não de um imperativo moral em ajudar os países mais pobres. Os interessados que se apressem, ficaram apenas meia dúzia de exemplares.

«Pode parecer altamente imprudente pedir aos países ricos que tomem responsabilidade de ajudar os mais pobres entre os pobres a escapar da armadilha da pobreza. Não só a tarefa é ingrata e infindável, mas pode conduzir à bancarrota – ou algo parecido, diz esta linha de pensamento. Afinal, não têm os países ricos vindo a manter programas sociais que vão para além da sua capacidade? Não estão suficientemente metidos em apuros fiscais com os encargos que já assumiram? Como poderiam alguma vez responsabilizar-se por milhares de milhões de pessoas fora das suas fronteiras, em países com populações que crescem rapidamente? Todas estas perguntas são razoáveis, mas , felizmente, também têm respostas razoáveis. Quanto mais se olha para elas mais se vê que o problema não é se os países ricos podem pagar a ajuda aos pobres, mas sim se podem dar-se ao luxo de não o fazer.»
Jeffrey Sachs, O fim da pobreza, tr. Paulo Tiago Bento, Casa das Letras, p. 421.

15/01/2010

Miguel Baptista Pereira, "Modernidade, Racismo e Ética Pós-convencional

Nos dias que correm, registam-se por toda a parte fenómenos racistas, que através de discursos, agressões morais e físicas e mortes,actualizam o paradigma biológico da luta de raças. Trata-se de uma construção do outro, que de modo pseudo-científico serve interesses de grupos étnicos, nacionalismos acirrados, a fome de domínio e a vontade de poder, depreciando e instrumentalizando outros homens, com raízes longas no percurso histórico da Modernidade e cujos preconceitos poderão ser erradicados numa mudança de atitude como a que é proposta pela Macroética pós-convencional de K.-O. Apel

(...)

Na Segunda Guerra Mundial, a ordem para liquidar a chamada "vida indigna de viver" foi o passo decisivo da utopia racista para a realização da "solução final " do genocídio. Pela Higiene da Raça e pela Eugenia desnudou-se a vítima de todo o valor mediante a construção fictícia da sua hereditariedade e em nome da raça pura do corpo do povo julgou-se legítima a negação da vida.

(...)

As recentes transformações sociais e políticas na Europa fazem recrudescer as dificuldades de não ser racista e subir ao lume da ribalta coros racistas, que a investigação já identifica a sintomas de uma doença social.

(...)

(...) [O] racismo é um problema mundial e actual, que nos avassala em ondas crescentes, alimentado em vários quadrantes por campanhas de comunicação social contra estrangeiros, latentemente presente nas reacções de medo perante a invasão das culturas nacionais por elementos estranhos, (...) o fenómeno do racismo é uma construção depreciativa do outro com profundas e misteriosas raízes no homem, é uma.espécie de "doença social" existente na maior parte das sociedades de hoje, cujos sintomas são sofridos mas frequentemente não reconhecidos pelas suas vítimas.

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Filocafé - Ciclo de palestras


14/01/2010

Viver para quê? – Ensaios sobre o sentido da vida,

A felicidade é a finalidade última da nossa existência: esta ideia tem sido defendida muitas vezes ao longo da história da filosofia. Ao abordarmos esta questão, convém, no entanto, não deslizar para o subjectivismo recusando a possibilidade de haver um carácter objectivo no conteúdo da felicidade que vale a pena perseguir como objectivo de vida. Equilibrar o nosso discurso nem sempre é fácil. Vem isto a propósito do recente livro traduzido e organizado por Desidério Murcho «Viver para quê? - Ensaios sobre o sentido da vida». Na introdução a este livro o autor elabora um mapa conceptual do tema rigoroso e esclarecedor da sua profundidade. Imprescindível para qualquer professor que aborde este assunto nas suas aulas.

«Porque a nossa felicidade pode rapidamente ser vista como uma finalidade última, pode-se ser levado a adoptar uma perspectiva subjectivista das finalidades últimas, que seriam então seja o que for que nos faça feliz, sem que a nossa felicidade tenha qualquer conexão com a realidade e com a racionalidade.
Contudo é uma ilusão pensar que uma coisa se segue facilmente da outra. Podemos perfeitamente defender que a nossa felicidade é uma finalidade última, mas ao mesmo tempo reconhecer que, por sermos agentes racionais e por estarmos inseridos numa realidade, a nossa felicidade mantém uma conexão essencial com a racionalidade e a realidade. Ou seja, podemos recusar que no que respeita à nossa felicidade tudo conta; podemos defender que a nossa felicidade depende crucialmente da conexão da nossa vida com a realidade e da capacidade que temos para justificar as nossas opções.»
Desidério Murcho, «Introdução», em Viver para quê? – Ensaios sobre o sentido da vida, Dinalivro, p. 22.

12/01/2010

A pena de morte é moralmente aceitável?

É pelo menos curioso que um pensador que recusa a moralidade da eutanásia, afirme a moralidade da pena de morte. Esse pensador existe. É David Oderberg, que apresenta com a sua habitual clareza de discurso, o seu argumento em defesa da pena de morte no seu livro Ética Aplicada recentemente editado entre nós pela Principia. Diz-nos o seu argumento que se aceitarmos o princípio da proporcionalidade devemos admitir que o pior castigo possível se deve seguir ao pior crime possível. [Conferir argumento no seu livro nas páginas 193-199, e um pequeno excerto/resumo aqui. Para a sua rejeição da Eutanásia ver aqui alguns excertos da sua argumentação].
Se o pior castigo possível é a pena de morte, e se podemos conceber um crime que seja o pior crime possível, então segue-se que devemos aceitar a moralidade da pena de morte como castigo para o pior crime possível. Como dar a volta a este argumento?

05/01/2010

Carl Sagan, Cosmos

Se há livros cuja leitura deveria ser obrigatória, “Cosmos” é um deles.


Carl Sagan acabou de escrever este livro em 1980, pelo que é natural que algumas informações de carácter político e científico pareçam um pouco ultrapassadas. Mas nem isso retira magia a este pequeno livro: Sagan prende-nos da primeira à última página, estimulando o desejo de ler compulsivamente.


Sagan foi um cientista norte-americano que se popularizou pelo seu papel enquanto divulgador de ciência. Mas Sagan é muito mais do que isso: é um escritor fantástico que nos desperta não apenas para o conhecimento científico mas também para o pensamento crítico, levando-nos a questionar, qual criança espantada, os porquês do mundo e da vida.


O livro evoluiu a par de uma série de televisão com o mesmo nome. Há poucos anos foi lançada uma edição especial do livro e da série, esta última com a colaboração de Ann Druyan, a última esposa de Sagan.


Como surgiu o Universo? A que distância estão as estrelas? De que são feitas as estrelas? Qual o conhecimento que temos sobre as coisas que nos rodeiam? Que conhecimento poderíamos hoje ter se não tivéssemos destruído a Biblioteca de Alexandria ou se não sofrêssemos, durante toda a Idade Média, uma era de obscurantismo e fanatismo religioso? Que provas temos da evolução das espécies? Como sabemos que as tradições orais são frequentemente falsas, como as caras de samurais nas carapaças dos caranguejos Heike? Como seria o nosso universo se existissem apenas duas dimensões (uma espécie de flatland)? Existem marcianos? Será  provável sermos visitados por homenzinhos verdes ou extra-terrestres de olhos cinzentos? Poderemos estabelecer comunicação com outras civilizações no universo, se existirem? Que responsabilidade temos perante o nosso próprio planeta?


Quem se interessa por estas questões tem de ler Cosmos. E, provavelmente, deixar que o livro influencie grande parte das escolhas futuras. Foi o que me aconteceu, e nunca me arrependi.

04/01/2010

Relatório minoritário

Este filme é especialmente interessante para abordar o problema do livre-arbítrio pois, entre outros aspectos interessantes, clarifica a distinção entre determinismo e fatalismo. No filme, a última acção do vilão demonstra que a partir do momento que conhecemos o futuro, podemos alterá-lo. Ficar preso a um destino mesmo depois de o conhecer antecipadamente seria uma posição fatalista; no entanto a negação do fatalismo não arrasta consigo o determinismo...