28/12/2010
14/12/2010
A favor ou contra os testes intermédios de Filosofia?
Argumentos favoráveis à introdução dos exames intermédios de Filosofia:
– Credibilizam a disciplina de filosofia
– Reposicionam o estatuto da disciplina junto de professores e alunos
– Incentivam ao estudo da disciplina
– Dignificam o trabalho dos docentes de filosofia
– Motivam para o filosofar
– Contribuem para a dignificação do trabalho dos docentes de filosofia
– Incutem uma cultura de responsabilização nos estudos
– Levam a que os alunos e a sociedade encarem esta disciplina com mais seriedade e interesse
Testes intermédios de Filosofia
Circula na internet um e-mail cujo teor, por ser público, passamos a transcrever:
Car@s Sóci@s,
Conforme tivemos oportunidade de anunciar participámos no dia 13 de Dezembro de 2010, numa reunião ordinária do Conselho Consultivo do GAVE – Gabinete de Avaliação Educacional para debater os seguintes assuntos inscritos na ordem de trabalhos:
1 - Informações;
2 - Esclarecimentos sobre matérias propostas pelos membros;
3 - Balanço da época de Exames e breve análise dos resultados;
4 - Fiabilidade e dificuldade das provas de aferição e de exame; Outros assuntos.
12/12/2010
John Rawls e o princípio da utilidade
John Rawls analisado na Stanford Encyclopedia of Philosophy:
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Ao contrário do utilitarista, para Rawls a filosofia política não é simplesmente filosofia moral aplicada. O utilitarista agarra-se a um princípio moral universal («maximizar a utilidade») que aplica a acções particulares, constituições políticas, relações internacionais, etc. Rawls não possui um princípio universal: «O princípio regulador correcto para algo», diz ele, «depende da natureza dessa coisa.»
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02/12/2010
O que é o discurso filosófico?
Sem pretendermos apresentar uma teoria geral do discurso filosófico, pensamos que é possível propor uma solução intermédia, nem demasiadamente comprometida com uma determinada problemática, nem directamente dependente, em excesso, duma teoria do discurso de frágeis fundamentos. Que direcção tomar para encontrar este método? Ele deve evitar reduzir o texto a uma única dimensão, por exemplo a agumentação ou a análise conceptual. A filosofia argumenta, mas não deve ficar reduzida à argumentação. Além do mais, esta dmensão nem sempre é visível: pode ser "trabalhada" através de outros modos de expressão, como a ironia, o sarcasmo de Nietzsche, ou a exortação e edificação de Epicteto.
Um texto é um conjunto complexo, não apenas dividido em secções e folhas, mas também prisioneiro duma linearidade característica do tempo e da escrita. Estas duas dimensões entrecruzam-se, graças a uma série de referências internas, que colocam numa co-presença ideal todos os momentos do desenvolvimento. A obra filosófica, quer se apresente sob a forma de um tratado dedutivo ou de aforismos brilhantes, é um todo que se constrói e se desfaz, aberto ao mundo e às teorias sobre o sentido, mas igualmente voltado para o universo a que ele prõrpio ~´a origem. É um conjunto móbil, animado de movimento interno, que apresenta uma rede de potencialidades discursivas, de acordo com regras e modalidades que podemos explicitar e analisar.
Frédéric Cossuta, Didáctica da Filosofia, Edições ASA
01/12/2010
Como definir a Filosofia? - J. Ferrater Mora
1: O termo: O significado etimológico de filosofia é "amor à sabedoria". Antes de se usar o substantivo "filosofia" usaram-se o verbo "filosofar" e o nome "filósofo". Heraclito afirmou que convém que os homens filósofos sejam sabedores de muitas coisas. Atribui-se a Pitágoras o ter-se chamado a si mesmo filósofo, mas não só se discute a autenticidade da afirmação como, principalmente, se neste contexto filósofo significa o mesmo que para Sócrates e Platão. Por aquele tempo considerava-se como filósofo todo o sábio, sofista ou historiador, físico e fisiólogo. As diferenças entre eles obedeciam ao conteúdo das coisas que estudavam: os historiadores estudavam factos (e não só factos históricos), os físicos e fisiólogos o elemento ou os elementos últimos de que se supunha composta a natureza. Todos eram, contudo, homens sapientes e, portanto, todos podiam ser considerados (como fizeram Platão e Aristóteles) como filósofos. Esta tendência para o estudo teórico da realidade a fim de conseguir um saber utilitário acerca dela, em conjungo com a tese da diferença entre a aparência e a realidade (já em Platão é explícita), tornou-se cada vez mais acentuada no pensamento grego. A concepção da filosofia como uma procura da filosofia por ela própria conclui numa explicação do mundo que utiliza um método racional-especulativo, coincida ou não com a mitologia. Desde então o termo filosofia tem valido com frequência como expressão desse "procurar a sabedoria".
24/11/2010
23/11/2010
A importância da filosofia
Uma discussão clara sobre a importância da filosofia. No programa Câmara Clara. A ver aqui.
19/11/2010
Exame de Filosofia
Público noticia esta manhã que o exame de Filosofia irá ser novamente introduzido e com carácter obrigatório. Ver notícia aqui.
18/11/2010
Dia Internacional da Filosofia
Ops! Quase nos acontecia o mesmo que a todos os meios de comunicação social deste país... o dia quase a acabar e nem uma nota de rodapé ao Dia Internacional da Filosofia. Festejam-se tantos dias que bem se podia festejar (ou apenas assinalar) o dia da actividade mental crítica que bem falta faz entre nós. Nas escolas, com mais ou menos profundidade, o dia é sempre assinalado, mas podia ter outra visibilidade global.
Sendo uma incicativa da Unesco deixamos aqui as explicações dos «porquês» e dos «quês» para eles, (mais precisamente aqui e aqui.)
Como se diz do Natal, que o Dia da Filosofia sejam todos os dias.
27/10/2010
Ler na FLUP
A Revista de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto está integralmente disponível na internet. Todos os artigos estão em livre acesso. Mais uma boa notícia para quem procura artigos académicos nesta área. Para aceder a todas as revistas clique aqui.
25/10/2010
Ligações
Ligações úteis, contendo os endereços electrónicos de vários filósofos, sites e revistas de filosofia:
- A arte de pensar
- A Busca Pela Sabedoria
- A filosofia no ensino secundário
- Agostinho da Silva
- Alan Sokal
- Alan Touring (pag. adm. Andrew Hodges)
- Alfafilos
- Álvaro Ribeiro
- Alvin Plantinga
- Biblioteca de Babel
- Café Filosófico de Évora
- Caminhos do Conhecimento
- Centro de Filosofia
- Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
- Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa
- Centro para o Ensino da Filosofia
- Ciberfilosofia
- Cibernous
- Ciência Hoje
- Comciência
- Crítica
- Daniel C. Dennett
- Da Pluralidade dos Mundos
- David Chalmers
- Davis S. Oderberg
- Delfim Santos
- Departamento de Filosofia de Évora
- De Rerum Natura
- Desidério Murcho
- Deus em Debate
- Dicionário de Filosofia Moral e Política
- Dicionário Escolar de Filosofia
- Discutindo Filosofia
- Disputatio
- Divulgar Ciência
- Domingos Faria
- Dúvida Metódica
- Ecole Normale Supérieure de Paris
- Eduardo Lourenço
- Elliot Sober
- Enciclopédia de Filosofia
- Encéphi
- ESAG
- Estágio FacFil
- Ethics Bites
- Experimental Epistemology Laboratory
- Experimental Philosophy
- Experimental Philosophy (Yale)
- Experimental Philosophy Lab
- Experimental Philosophy Society
- Fernando Gil
- Filosofia com Crianças
- Filosofia e Educação
- Filosofia Experimental
- Filosofiareal
- Filosofia na UNESCO
- http://www.filosofiadafisica.com/
- Histórico-filosóficas
- Ingenta
- Instituto Camões
- Instituto de Estudos Filosóficos UC
- Instituto de Filosofia da FLUP
- Intelectu
- Internet Encyclopedia of Philosophy
- InterScience
- http://investigacao-filosofica.blogspot.com/
- James Rachels
- Jardins de Epicuro
- Joana RS Sousa
- John Searle
- Jornal de Ciências Cognitivas
- José Marinho
- Jurgen Habermas
- Leonardo Coimbra
- Linguagem, Interpretação e Filosofia
- Logosfera
- LusoSofia
- Machina Speculatrix
- Mente Cérebro e Ciência
- Metacrítica
- Michael Sandel
- M. S. Lourenço
- Navegando na Filosofia
- Nigel Warburton (Virtual Philosopher)
- Noam Chomsky
- Notre Dame Philosophical Reviews
- O canto da Filosofia
- Online papers
- Opinião Filosófica
- Pedro Galvão
- Peter Singer
- Peter Singer
- Philomag
- Philosophies TV
- Philosophy Bites
- PhilPapers
- Portal Brasileiro de Filosofia
- Porto X-Phi Lab
- Project Reason
- Prometeus
- Qualia
- Quine
- Raul Proença
- Recensio - Revista de Recensões de Comunicação e Cultura
- Rede de Filosofia e Literatura
- Revista Digital de Prática Filosófica
- Revista Ethica
- Revista Filosófica de Coimbra
- Richard Dawkins
- Rotas Filosóficas
- Routledge Encyclopedia of Philosophy
- Sam Harris
- Sarah O'Brien Conly
- Sebenta de Filosofia
- Simon Blackburn
- Sociedade Portuguesa de Filosofia
- Stanford Encyclopedia of Philosophy
- Stephen Jay Gould
- Teixeira de Pascoaes
- Telegrapho de Hermes
- Teresa Marques
- The Brights
- The Philosophers Magazine
- The Royal Institute of Philosophy
- Think Journal
- Trólei
- Um café
- Um café filosófico
- Vergílio Ferreira
- Will Kymlicka
Quais são os dez melhores artigos de Filosofia de 2009?
Foi recentemente divulgada uma selecção dos “dez melhores artigos de filosofia publicados em 2009” em língua inglesa, feita por um painel de 50 filósofos. Vale como proposta. E tem a vantagem de disponibilizar os artigos. O endereço é o seguinte:
15/10/2010
13/10/2010
Newsletter PdF - Outono de 2010
Acabámos de publicar a Newsletter PdF do Outono de 2010. A edição deste mês contém um conjunto de documentos formais úteis para professores e estudantes de filosofia e algumas recomendações de leitura.
A newsletter PdF é gratuita e distribuída trimestralmente. Para a receber por e-mail, inscreva-se no Grupo PdF. Não receberá mais nenhum e-mail nem mensagens publicitárias. O seu registo de e-mail é rigorosamente confidencial. Caso posteriormente deseje anular a sua inscrição no grupo, basta enviar um e-mail com o assunto REMOVER para paginasdefilosofia.blog@gmail.com .
23/09/2010
19/09/2010
Heidegger e um hipopótamo...
Heidegger e um Hipopótamo Chegam às Portas do Paraíso
Thomas Cathcart & Daniel Klein
tr. Isabel Veríssimo, D. Quixote, 2010.
Thomas Cathcart & Daniel Klein
tr. Isabel Veríssimo, D. Quixote, 2010.
Citações da contracapa:
«Vive de forma a que o teu maior desejo seja viver outra vez, pois, quer queiras quer não, viverás novamente!» (Friedrich Nietzsche)
«Óptimo. Isso significa que terei de aguentar a patinagem no gelo outra vez.» (Woddy Allen)
«Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: é o suicídio.» (Albert Camus)
«O suicídio é a nossa maneira de dizer a Deus 'Não me podes despedir, eu desisto!'» (Bill Maher)
Tratar de coisas sérias a brincar não agrada a todos. A filosofia também não! Tratar do problema do sentido da vida usando o método destes dois autores não é certamente consensual. Mas é divertido. Aliás, o próprio título alude à anedota final que demonstra a plena consciência dos autores sobre este desconforto.
«Heidegger e um hipopótamo chegam às portas do paraíso e S Pedro diz:
- Escutem, hoje só temos espaço para mais um. Por isso aquele que me der a melhor resposta à pergunta «Qual é o sentido da vida?» é que entra.
Heidegger responde:
- Pensar explicitamente no Ser em si mesmo requer o menosprezo pelo Ser, na medida em que está apenas fundamentado e interpretado em termos de seres e para seres como seu fundamento, como em toda a metafísica.
E antes de o hipopótamo poder grunhir uma palavra, S. Pedro volta-se para ele e diz:
- Hoje é o teu dia de sorte, hipopótamo!»
17/09/2010
A Ética da Crença, org. de Desidério Murcho
«A religião pode ser estudada de diferentes pontos de vista. Podemos estudar os seus aspectos psicológicos, históricos, sociológicos ou políticos. Mas também podemos estudar os problemas filosóficos que suscita. Esta pequena antologia oferece uma amostra de uma área da filosofia da religião conhecida por "epistemologia da fé". Nesta, estuda-se aspectos epistemológicos da crença religiosa, ou fé. Difere, por isso, de outras áreas da filosofia da religião, nomeadamente a área metafísica central, que trata da discussão dos argumentos a favor e contra a existência de Deus.»
16/09/2010
Orientações para a Leccionação do Programa de Filosofia
As OLPF continuam a ser um documento de referência para a leccionação do programa de filosofia, e fazem parte da lista de documentos recomendados pela Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular:
http://sitio.dgidc.min-edu.pt/recursos/lists/repositrio%20recursos2/attachments/329/orientacoes_filosofia_10_11.pdf
Orientações -- filosofia
15/09/2010
13/09/2010
Desidério Murcho, "Limites do Papel da Lógica na Filosofia"
A tarefa da filosofia, tal como a tarefa das ciências, é descobrir proposições verdadeiras. Mas ao contrário do que acontece com as ciências empíricas, a experiência raramente fornece à filosofia um critério para distinguir a verdade da falsidade. Assim, apesar de a lógica parecer fornecer tão pouco, é afinal o único meio seguro que temos para excluir argumentos que, ainda que conduzam à verdade, o fazem de forma tal que não podemos realmente saber se estamos perante a verdade ou perante a ilusão. A lógica não pode decidir se as premissas são ou não verdadeiras; a lógica não pode tão-pouco decidir se a conclusão de um raciocínio é verdadeira ou não; mas a lógica diz-nos se tal conclusão resulta realmente ou não de tais premissas.
É a lógica que permite distinguir claramente os argumentos válidos das falácias.
(...)
O que torna a filosofia sublime é o carácter extraordinário que a faz perguntar pelo que a experiência não pode alcançar, sem desistir de exigir que se distinga a verdade da ilusão. Estas perguntas podem ser incómodas para as pessoas que têm um forte espírito técnico e um fraco espírito interrogativo, ou para as pessoas que querem ter a todo o custo conforto espiritual, sem se preocuparem muito em saber se aquilo que os conforta é ou não realmente verdade. Mas a filosofia é fundamentalmente uma actividade de fazer perguntas incómodas e tentar encontrar respostas razoáveis. Perguntas muito simples sobre as questões mais gerais da realidade. Tão gerais que não podem ter uma resposta empírica.
(...)
As teorias filosóficas típicas não podem ser confirmadas ou infirmadas pela experiência; ultrapassam-na. Só a lógica e a discussão séria podem ajudar-nos a avaliar a verdade das suas teorias, uma vez que queremos excluir do nosso estudo o apelo irracional a experiências místicas. Mas como vimos, um argumento válido nunca é conclusivo em filosofia porque é sempre possível duvidar da verdade das premissas; por outro lado, um argumento inválido pode ainda assim ter uma conclusão verdadeira. Assim, a lógica não pode de forma alguma resolver os problemas da filosofia; não pode pelo menos, seguramente, resolvê-los todos. Mas é um instrumento básico sem o qual a tarefa do filósofo é bastante mais confusa, correndo o risco de se tornar ou num discurso autofágico, ou num veículo de divulgação disfarçada de ideias pouco inteligentes que querem furtar-se à livre discussão.
É a lógica que permite distinguir claramente os argumentos válidos das falácias.
(...)
O que torna a filosofia sublime é o carácter extraordinário que a faz perguntar pelo que a experiência não pode alcançar, sem desistir de exigir que se distinga a verdade da ilusão. Estas perguntas podem ser incómodas para as pessoas que têm um forte espírito técnico e um fraco espírito interrogativo, ou para as pessoas que querem ter a todo o custo conforto espiritual, sem se preocuparem muito em saber se aquilo que os conforta é ou não realmente verdade. Mas a filosofia é fundamentalmente uma actividade de fazer perguntas incómodas e tentar encontrar respostas razoáveis. Perguntas muito simples sobre as questões mais gerais da realidade. Tão gerais que não podem ter uma resposta empírica.
(...)
As teorias filosóficas típicas não podem ser confirmadas ou infirmadas pela experiência; ultrapassam-na. Só a lógica e a discussão séria podem ajudar-nos a avaliar a verdade das suas teorias, uma vez que queremos excluir do nosso estudo o apelo irracional a experiências místicas. Mas como vimos, um argumento válido nunca é conclusivo em filosofia porque é sempre possível duvidar da verdade das premissas; por outro lado, um argumento inválido pode ainda assim ter uma conclusão verdadeira. Assim, a lógica não pode de forma alguma resolver os problemas da filosofia; não pode pelo menos, seguramente, resolvê-los todos. Mas é um instrumento básico sem o qual a tarefa do filósofo é bastante mais confusa, correndo o risco de se tornar ou num discurso autofágico, ou num veículo de divulgação disfarçada de ideias pouco inteligentes que querem furtar-se à livre discussão.
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03/09/2010
António Damásio - O que é a consciência?
Question: What is consciousness?
Antonio Damasio: If I use the word consciousness, in our lab, in our institute, what we mean is the special quality of mind, the special features that exist in the mind, that permit us to know, for example, that we, ourselves, exist, and that things exist around us. (...)
Antonio Damasio: If I use the word consciousness, in our lab, in our institute, what we mean is the special quality of mind, the special features that exist in the mind, that permit us to know, for example, that we, ourselves, exist, and that things exist around us. (...)
18/08/2010
Porque nos interessa a Filosofia?
Coordenadora:
Maria Manuel Araújo Jorge
Autores:
Paulo Tunhas, Maria Luísa Ribeiro Ferreira, João Lemos, Lídia Queiroz, Sofia Miguens, Susana Restier Poças, Diogo Alcoforado, Daniel Duarte de Carvalho, Daniela Silveira, João Valente Aguiar, Eurico Albino Gomes Martins Carvalho, Bruno Pinheiro
Porquê pensar a metafísica, o que existe e o que é, o conhecimento e a ciência, os valores, o belo, o bem, a verdade, porquê pensar a vida e o próprio pensamento? E porquê fazê-lo em diálogo com outros, mesmo que tão distantes no tempo, como Parménides? Esta obra mostra, na variedade de questões que toca, como o prazer da reflexão filosófica reside, em parte, no reencontro com temas arquitectónicos do pensamento humano que, à distância, mas de um modo permanente, articulam o modo como, no dia-a-dia, procuramos algum sentido à nossa volta.
Escrito por filósofos para não- filósofos, este livro, numa linguagem clara e rigorosa, conduz o leitor pelos múltiplos temas de que a filosofia se ocupa, permitindo-lhe viajar livremente pelos diferentes territórios da cultura e do pensamento.
SOBRE A COORDENADORA:
Maria Manuel Araújo Jorge é professora no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A sua área de investigação é a filosofia das ciências e em particular da biologia, bem como a relação da investigação científica com a ética. Participou como co-autora em seis obras colectivas e é autora de mais de sessenta artigos, muitos deles publicados internacionalmente, e de três livros: Da epistemologia à biologia, Instituto Piaget, 1994; Biologia, Informação e Conhecimento, Gulbenkian, 1995; As ciências e nós, Instituto Piaget, 2001. É investigadora principal do Instituto de Filosofia e membro da Comissão de Ética da Universidade do Porto, em representação das Ciências da Vida, assim como da Comissão de Ética para a Saúde do Centro Hospitalar do Porto.
A Colecção Esfera da Filosofia é dirigida por José Meirinhos e resulta de uma parceria com o Instituto de Filosofia da Universidade do Porto.
05/08/2010
Precisamos mesmo de uma dieta mental?
O professor Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna. «Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.» Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma: «o jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. «o conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras. «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.
Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam.
É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.»
02/08/2010
Habilitações para a docência
As más notícias não param de chegar.
O Decreto-Lei 220/2009 tem de ser regulamentado no que diz respeito aos domínios de habilitação não abrangidos pelo Decreto-Lei 43/2007. As habilitações para a docência estão a ser profundamente alteradas e é bom que se compreenda que isso terá implicações profundas e dramáticas sobre a realidade profissional dos professores de Filosofia portugueses. Desengane-se quem pense que o problema incidirá apenas sobre os professores contratados pois, como se verá, todos serão seriamente afectados. Eis o documento que circula na internet:
oficio
O Decreto-Lei 220/2009 tem de ser regulamentado no que diz respeito aos domínios de habilitação não abrangidos pelo Decreto-Lei 43/2007. As habilitações para a docência estão a ser profundamente alteradas e é bom que se compreenda que isso terá implicações profundas e dramáticas sobre a realidade profissional dos professores de Filosofia portugueses. Desengane-se quem pense que o problema incidirá apenas sobre os professores contratados pois, como se verá, todos serão seriamente afectados. Eis o documento que circula na internet:
oficio
21/07/2010
Brian Green sobre O mito de Sísifo de Albert Camus
Quando virei a última página de O mito de Sísifo, há muitos anos, fiquei surpreendido por o texto ter conseguido concluir com um sentimento global de optimismo. Afinal, a história de um homem condenado a empurrar uma pedra monte acima, plenamente consciente de que ela vai rolar para baixo, obrigando-o a começar a empurrar de novo, não é daquelas que se espera tenham um final feliz. No entanto, Camus viu uma esperança profunda na capacidade de Sísifo de exercer a sua vontade livremente, de insistir contra obstáculos invencíveis e de impor a sua escolha de viver, mesmo condenado a uma tarefa absurda num universo indiferente. Ao abandonar tudo o que está para lá da experiência imediata e ao cessar a procura de qualquer tipo de entendimento ou sentido mais aprofundado, Sísifo, argumentou Camus, triunfa.
Brian Green, O tecido do cosmos, tr. Pedro Miguel Ferreira, Gradiva, pp. 46, 47.
06/07/2010
Carl Sagan - Ciência e pseudociência #2
Talvez a distinção mais nítida entre ciência e pseudociência resida no facto da primeira ser muito mais severa na apreciação das imperfeições e da falibilidade humanas do que a pseudociência (…). Se recusarmos com firmeza reconhecer onde somos susceptíveis de errar, poderemos estar certos de que o erro – até mesmo os erros graves, profundos – serão nossos companheiros para sempre. Mas se tivermos a coragem de nos auto-avaliarmos, por muito tristes que sejam as reflexões que isto possa suscitar, as nossas hipóteses melhoram muito.
Carl Sagan, Um mundo infestado de demónios, tr. Ana Bastos e Luís Bastos, Gradiva, p. 37.
05/07/2010
Carl Sagan - Ciência e pseudociência #1
Poder-se-ia afirmar que as adesões à pseudociência são directamente proporcionais à incompreensão da verdadeira ciência. Mas se uma pessoa nunca ouviu falar de ciência (para já não referir o modo como ela funciona), é difícil aperceber-se de que está a aderir à pseudociência. Está simplesmente a pensar de uma das maneiras que os seres humanos sempre pensaram.
Carl Sagan, Um mundo infestado de demónios, tr. Ana Bastos e Luís Bastos, Gradiva, p. 30.
22/06/2010
PdF - Newsletter de Verão
Já está disponível a Newsletter n.º 2, correspondente à edição do Verão de 2010. Para receber a Newsletter na sua caixa de correio, inscreva-se na caixa que se encontra na barra lateral direita deste blogue.
A periodicidade da newsletter é trimestral. Não receberá mais nenhum e-mail nem mensagens publicitárias. A adesão é gratuita.
A periodicidade da newsletter é trimestral. Não receberá mais nenhum e-mail nem mensagens publicitárias. A adesão é gratuita.
17/06/2010
Miguel Baptista Pereira, "Alteridade, Linguagem e Globalização"
O amor da sabedoria é também amor da linguagem, que nos diz os caminhos para o outro num tempo, cuja técnica permite alargar até aos confins da ecúmena a praxis solidária dos homens ou a dinâmica do seu ser-no-mundo de modo global. O humano ser-no-mundo sem exclusão de ninguém e com solicitude pelo outro por cuja integridade se sente responsável «in solidum» e não «pro rata» segundo a linguagem dos juristas, recebeu no sec. XIX da pena de P. Leroux o nome de «solidariedade» e nos nossos dias o de modo humano de «globalização» ou de «mundialização
», que, enquanto modo de estarmos no mundo, diz a incondicionada disponibilidade e responsabilização pelos outros, que, a nível planetário, a técnica hoje nos permite conhecer e abordar. A solidariedade, que enlaça os homens, é também aliança com a natureza e a vida, cuja alteridade continua criadora, mantendo e albergando os homens. Da vinculação umbilical à vida e à natureza e da globalização como modo planetário de estarmos com todos os homens tomamos consciência através da língua materna, que desde o berço iniciou a abertura do mundo dos homens, da vida e da natureza. Neste sentido, globalização ou mundialização como ser-no- -mundo-com-outros opõe-se radicalmente à mundialização nascida da técnica, do mercado e da informação: «Mundialização e universalidade não coincidem mas excluem-se mutuamente. A mundialização é das técnicas, do mercado, do turismo, da informação. A universalidade é dos valores, dos direitos do homem, das liberdades, da cultura, da democracia. A mundialização parece irreversível, o universal estaria antes em via de desaparecimento.
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», que, enquanto modo de estarmos no mundo, diz a incondicionada disponibilidade e responsabilização pelos outros, que, a nível planetário, a técnica hoje nos permite conhecer e abordar. A solidariedade, que enlaça os homens, é também aliança com a natureza e a vida, cuja alteridade continua criadora, mantendo e albergando os homens. Da vinculação umbilical à vida e à natureza e da globalização como modo planetário de estarmos com todos os homens tomamos consciência através da língua materna, que desde o berço iniciou a abertura do mundo dos homens, da vida e da natureza. Neste sentido, globalização ou mundialização como ser-no- -mundo-com-outros opõe-se radicalmente à mundialização nascida da técnica, do mercado e da informação: «Mundialização e universalidade não coincidem mas excluem-se mutuamente. A mundialização é das técnicas, do mercado, do turismo, da informação. A universalidade é dos valores, dos direitos do homem, das liberdades, da cultura, da democracia. A mundialização parece irreversível, o universal estaria antes em via de desaparecimento.
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07/06/2010
Maria Luísa Portocarrero Silva, "Autonomia e Clonagem Humanas"
Na sua conferência Gelassenheit, (Serenidade), 2, um texto escrito em 1959, M. Heidegger, filósofo que dispensa qualquer apresentação, alertava-nos já para os desafios e perigos da nossa era. Era atómica (...), era técnica, a denominação pouco importa (...), se soubermos detectar a natureza real do perigo referido.
06/06/2010
03/06/2010
Para que serve a Lógica?
O homem, independentemente da civilização histórica a que pertence, tenta conhecer a verdade. Tanto os homens primitivos como os nossos contemporâneos aspiram a chegar, conhecendo o mundo circundante, ao saber verdadeiro. Este traz alegria e satisfação a uns e penas a outros: a verdade impulsiona os fortes a realizar proezas, mas paraliza a vontade dos fracos, conduze-os ao pessimismo e à confusão. Não obstante, todas as pessoas querem conhecer o mundo em que vivem.
01/06/2010
O que é a Lógica?
O termo "lógica" é derivado do vocábulo grego logos que significa "ideia", "palavra", "razão" e "regularidade", e emprega-se para designar tanto o conjunto de regras que acata o processo de pensar, reflexo da realidade, como a ciência das regras de raciocínio e das suas formas. Utilizaremos o termo nestes dois sentidos. Além disso, o dito termo emprega-se para designar as regularidades do mundo objectivo ("lógica das coisas", "lógica dos acontecimentos"), o qual sai fora dos marcos do nosso livro.
30/05/2010
28/05/2010
John Rawls - O argumento da posição original
Da mesma forma que cada pessoa deve decidir, através de uma análise racional, o que é que constitui o seu bem, isto é, o sistema de objectivos que lhe é racional prosseguir, também um conjunto de pessoas deve decidir, de uma vez por todas, o que é para elas considerado justo ou injusto. É a escolha que será feita por sujeitos racionais nesta situação hipotética em que todos beneficiam de igual liberdade - aceitando por agora que o problema colocado por escolha tem solução - que determina os princípios da justiça.
Na teoria da justiça como equidade, a posição da igualdade original corresponde ao estado natural na teoria tradicional do contrato social. Esta posição original não é, evidentemente, concebida como uma situação histórica concreta, muito menos como um estado cultural primitivo. Deve ser vista como uma situação puramente hipotética, caracterizada de forma a conduzir a uma certa concepção da justiça . Entre essas características essenciais está o facto de que ninguém conhece a sua posição na sociedade, a sua situação de classe ou estatuto social, bem como a parte que lhe cabe na distribuição dos atributos e talentos naturais, como a sua inteligência, a sua força e mais qualidades semelhantes. Parto inclusivamente do princípio de que as partes desconhecem as suas concepções do bem ou as suas tendências psicológicas particulares. Os princípios da justiça são escolhidos a coberto de um véu de ignorância. Assim se garante que ninguém é beneficiado ou prejudicado na escolha daqueles princípios pelos resultados do acaso natural ou pela contingência das circunstâncias sociais. Uma vez que todos os participantes estão em situação semelhante e que ninguém está em posição de designar princípios que beneficiem a sua situação particular, os princípios da justiça são o resultado de um acordo ou negociação equitativa. (…) Pode dizer-se que a posição original constitui o statu quo inicial adequado, pelo que os acordos fundamentais estabelecidos em tal situação são equitativos. Isto explica a propriedade da designação «justiça como equidade»: ela transmite a ideia de que o acordo sobre os princípios da justiça é alcançado numa situação inicial que é equitativa. Não decorre daqui que os conceitos de justiça e de equidade sejam idênticos, tal como também não decorre da frase «a poesia como metáfora» que os conceitos de poesia e de metáfora o sejam.
24/05/2010
Isaiah Berlin – Conflito de liberdades
A liberdade que consiste em ser-se dono de si próprio e a liberdade que consiste em não ser impedido de optar como se opta, por outros homens, podem parecer conceitos não muito distantes entre si – não mais do que uma maneira negativa e positiva de afirmar, por assim dizer, a mesma coisa. Contudo, as noções «positiva» e «negativa» de liberdade desenvolveram-se historicamente em direcções divergentes, nem sempre por fases respeitáveis em termos de lógica, até acabarem por entrar em conflito directo uma com a outra.
Isaiah Berlin, «Dois conceitos de liberdade» in A busca do Ideal, tr. Teresa Curvelo, Editorial Bizâncio, p. 256.
23/05/2010
21/05/2010
Isaiah Berlin – Liberdade positiva
O sentido «positivo» da palavra «liberdade» decorre do desejo do indivíduo de ser dono de si próprio. Quer que a sua vida e as suas decisões dependam de si próprio e não de qualquer tipo de forças exteriores. Quer ser o instrumento dos seus próprios actos de vontade e não dos de outros homens.
Isaiah Berlin, «Dois conceitos de liberdade» in A busca do Ideal, tr. Teresa Curvelo, Editorial Bizâncio, p. 255.
20/05/2010
Isaiah Berlin – Liberdade negativa
De um modo geral, diz-se que sou livre na medida em que nenhum indivíduo ou conjunto de indivíduos interfere com a minha actividade. A liberdade política, neste sentido, é muito simplesmente a área dentro da qual um homem pode agir sem ser impedido por outros. (…) Só se está privado de liberdade ou de direitos políticos se se for impedido de atingir uma determinada meta por seres humanos. A mera incapacidade de conseguir um objectivo não significa falta de liberdade política.
Isaiah Berlin, «Dois conceitos de liberdade» in A busca do Ideal, tr. Teresa Curvelo, Editorial Bizâncio, pp. 246, 247.
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