29/09/2009

Conceitos específicos nucleares IV

No actual Programa de Filosofia, o capítulo sobre Estética revela uma tendência claramente fenomenológica .

São apresentados vários conceitos tidos como essenciais:

estética, experiência estética, teoria estética, gosto, juízo estético, útil, agradável, belo,
horrível, sublime, arte, obra de arte, artista, espectáculo, criação artística.

Esta lista é paupérrima, deixando de lado conceitos tão importantes como os de Arte pela Arte, Autenticidade, Categorias estéticas, Emoção, Teorias institucional da Arte, Catarse, Efeito de distanciamento, Desinteresse, etc.

O Programa oficial contempla apenas estes conteúdos:

3.2. A dimensão estética - análise e compreensão da experiência estética
3.2.1. A experiência e o juízo estéticos
3.2.2. A criação artística e a obra de arte
3.2.3. A Arte: produção e consumo, comunicação e conhecimento

Na minha perspectiva, é pouco. Não desejando propriamente uma História da Arte ou História da Estética, que conduziriam (inexoravelmente?) a uma deriva não filosófica, preferiria, ainda assim, uma abordagem das relações entre Estética e Política, Arte e Religião ou Estética e Ciência.Por outro lado, o Programa parece não se abrir suficientemente a outras abordagens, como Wittgenstein, Margolis ou Goodman. Nem discute, por exemplo, se existe alguma unidade entre as diversas artes, ou o fundamento das críticas de arte.

Num post futuro, desenvolverei e justificarei algumas das afirmações mais polémicas que aqui levantei.

28/09/2009

Vergílio Ferreira - a arte como autenticidade

Dizer que uma obra de arte nos dá «prazer» é equívoco: a palavra «prazer» traz os sinais degradantes da distracção, da fuga, do esquecimento; e uma obra de arte é a forma autêntica da presença à verdade original da vida. E, no entanto, nenhum de nós confunde a emoção sentida em face de uma dor real com essa outra emoção que a arte nos reconstitui: àquela dor corresponde agora algo de agradável, de plenitude.
Vergílio Ferreira, Espaço do Invisível – vol.1, Bertrand, 1990, p. 21.

25/09/2009

O homicídio da profissão de Professor

Já que estamos em pleno arranque de mais um ano lectivo, vale a pena rever:

24/09/2009

Diferenças diferentes - Peter Singer

De qualquer forma, na situação actual temos deveres para com os estrangeiros que se sobrepõem aos deveres para com os nossos concidadãos: mesmo que a desigualdade seja muitas vezes, o estado de pobreza extrema já descrito é um estado de pobreza que não é relativo à riqueza dos outros. Diminuir o número de seres humanos a viver na pobreza extrema é certamente uma prioridade mais urgente do que diminuir a pobreza relativa provocada por algumas pessoas viverem em palácios enquanto outras vivem em casas meramente satisfatórias.
Peter Singer, Um só mundo – A ética da globalização, tr. Maria de Fátima St. Aubyn, Gradiva, 2004, p. 237.

22/09/2009

O poder de servir e o poder de dominar

Conta-se que, certo dia, apresentaram a Jesus um surdo tartamudo. Ele curou-o, abrindo-lhe os ouvidos e desprendendo-lhe a língua. Não consta, no entanto, que Jesus tenha fundado qualquer instituição para tratamento dos ouvidos ou da fala. Não veio substituir os caminhos das ciências, das artes ou das políticas, tarefa da investigação e da criatividade humanas. Será sempre despropositado tentar extrair dos Evangelhos programas para a construção da vida social, cultural e política.

Frei Bento Domingues, Crónica no Público de 20 de Setembro (Link apenas disponível para assinantes)

21/09/2009

Para que serve a Filosofia?

É uma pergunta interessante. Não vemos nem ouvimos ninguém perguntar, por exemplo, para que matemática ou física? Para que geografia ou geologia? Para que história ou sociologia? Para que biologia ou psicologia? Para que astronomia ou química? Para que pintura, literatura, música ou dança? Mas todo mundo acha muito natural perguntar: Para quê Filosofia?

Em geral, essa pergunta costuma receber uma resposta irônica, conhecida dos estudantes de Filosofia: “A Filosofia é uma ciência com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual”. Ou seja, a Filosofia não serve para nada. Por isso, se costuma chamar de “filósofo” alguém sempre distraído, com a cabeça no mundo da lua, pensando e dizendo coisas que ninguém entende e que são perfeitamente inúteis.

Essa pergunta, “Para que Filosofia?”, tem a sua razão de ser. Em nossa cultura e em nossa sociedade, costumamos considerar que alguma coisa só tem o direito de existir se tiver alguma finalidade prática, muito visível e de utilidade imediata. Por isso, ninguém pergunta para que as ciências, pois todo mundo imagina ver a utilidade das ciências nos produtos da técnica, isto é, na aplicação científica à realidade.
Todo mundo também imagina ver a utilidade das artes, tanto por causa da compra e venda das obras de arte, quanto porque nossa cultura vê os artistas como gênios que merecem ser valorizados para o elogio da humanidade. Ninguém, todavia, consegue ver para que serviria a Filosofia, donde dizer-se: não serve para coisa alguma. 
Parece, porém, que o senso comum não enxerga algo que os cientistas sabem muito bem. As ciências pretendem ser conhecimentos verdadeiros, obtidos graças a procedimentos rigorosos de pensamento; pretendem agir sobre a realidade, através de instrumentos e objetos técnicos; pretendem fazer progressos nos conhecimentos, corrigindo-os e aumentando-os.

Ora, todas essas pretensões das ciências pressupõem que elas acreditam na existência da verdade, de procedimentos corretos para bem usar o pensamento, na tecnologia como aplicação prática de teorias, na racionalidade dos conhecimentos, porque podem ser corrigidos e aperfeiçoados. Verdade, pensamento, procedimentos especiais para conhecer fatos, relação entre teoria e prática, correção e acúmulo de saberes: tudo isso não é ciência, são questões filosóficas. O cientista parte delas como questões já respondidas, mas é a Filosofia quem as formula e busca respostas para elas. Assim, o trabalho das ciências pressupõe, como condição, o trabalho da Filosofia, mesmo que o cientista não seja filósofo. No entanto, como apenas os cientistas e filósofos sabem disso, o senso comum continua afirmando que a Filosofia não serve para nada.
Para dar alguma utilidade à Filosofia, muitos consideram que, de fato, a Filosofia não serviria para nada, se “servir” fosse entendido como a possibilidade de fazer usos técnicos dos produtos filosóficos ou dar-lhes utilidade econômica, obtendo lucros com eles; consideram também que a Filosofia nada teria a ver com a ciência e a técnica. Para quem pensa dessa forma, o principal para a Filosofia não seriam os conhecimentos (que ficam por conta da ciência), nem as aplicações de teorias (que ficam por conta da tecnologia), mas o ensinamento moral ou ético. A Filosofia seria a arte do bem viver. Estudando as paixões e os vícios humanos, a liberdade e a vontade, analisando a capacidade de nossa razão para impor limites aos nossos desejos e paixões, ensinando-nos a viver de modo honesto e justo na companhia dos outros seres humanos, a Filosofia teria como finalidade ensinarnos a virtude, que é o princípio do bem-viver.

Essa definição da Filosofia, porém, não nos ajuda muito. De fato, mesmo para ser uma arte moral ou ética, ou uma arte do bem-viver, a Filosofia continua fazendo suas perguntas desconcertantes e embaraçosas: O que é o homem? O que é a vontade? O que é a paixão? O que é a razão? O que é o vício? O que é a virtude? O que é a liberdade? Como nos tornamos livres, racionais e virtuosos? Por que a liberdade e a virtude são valores para os seres humanos? O que é um valor? Por que avaliamos os sentimentos e as ações humanas?
Assim, mesmo se disséssemos que o objeto da Filosofia não é o conhecimento da realidade, nem o conhecimento da nossa capacidade para conhecer, mesmo se disséssemos que o objeto da Filosofia é apenas a vida moral ou ética, ainda assim, o estilo filosófico e a atitude filosófica permaneceriam os mesmos, pois as perguntas filosóficas - o que, por que e como - permanecem.




Marilena Chaui, Convite à Filosofia

20/09/2009

Sabedoria sem respostas

Descobri agora uma excelente introdução à filosofia. Comento-a aqui.

18/09/2009

Pode refutar-se a afirmação «a verdade é relativa»? Esta poderia ser absoluta?

Há muitos tipos de relativismo, alguns dos quais razoavelmente consensuais. Imagine que eu pergunto «O Benny Hill tem graça?» (…) Trata-se apenas de uma questão de gosto, ou, neste caso, do sentido de humor de cada um. Assim, a verdade da asserção «O Benny Hill tem graça» é, em certo sentido, relativa à pessoa que a profere.
Contudo, existe uma forma extrema de relativismo segundo a qual tudo é relativo: a verdade de uma asserção é relativa à pessoa que a profere. (…)
Comecemos por perguntar em relação a quê, exactamente, é verdade supostamente relativa. O desafio mais conhecido à forma extrema de relativismo - a tese de que toda a verdade é relativa – é directo e, tanto quanto me é dado saber, nunca teve resposta adequada. Consiste no seguinte: é melhor que a verdade da asserção «A verdade é relativa» não seja relativa! (…)


Peter Lipton

Os filósofos não estão de acordo quanto a isto. Todavia, sou de opinião de que existem verdades absolutas.(…) Pode haver áreas em que não se possa chegar à verdade absoluta. Algumas pessoas diriam que as afirmações sobre questões éticas são disso exemplo; outras di-lo-iam acerca das afirmações sobre beleza. Porém, disto não se infere que não existam áreas em que há verdade absoluta.

Posto isto, a pergunta que se impõe é se dispomos de algum exemplo plausível de verdade absoluta. Eis um: «Há árvores em Portugal». Não é a frase mais excitante que imaginar se possa, concordo, mas é verdadeira, e não só para mim. É apenas verdadeira, absolutamente. Deixo-lhe a missão de descobrir exemplos mais interessantes.


Alexandre  George, "O que diria Sócrates", Gradiva, 2008, pp. 37-39.

10/09/2009

Argumentação - Anthony Weston

Algumas pessoas pensam que argumentar é apenas expor os seus preconceitos de uma forma nova. É por isso que muitas pessoas pensam também que os argumentos são desagradáveis e inúteis. Argumentar pode confundir se com discutir. Neste sentido, dizemos por vezes que duas pessoas discutem, como numa espécie de luta verbal. Acontece muito. Mas não é isso o que os argumentos realmente são.Neste livro «apresentar um argumento» quer dizer oferecer um conjunto de razões a favor de uma conclusão ou oferecer dados favoráveis para uma conclusão. Neste livro, um argumento não é apenas a afirmação de certos pontos de vista, e não é apenas uma disputa. Os argumentos são tentativas de apoiar certos pontos de vista com razões.


Neste sentido, os argumentos não são inúteis; na verdade, são essenciais. Os argumentos são essenciais, em primeiro lugar, porque são uma forma de tentar descobrir quais os melhores pontos de vista. Nem todos os pontos de vista são iguais. Algumas conclusões podem ser apoiadas com boas razões; outras, com razões menos boas. Mas muitas vezes não sabemos quais são as melhores conclusões. Precisamos de apresentar argumentos para apoiar diferentes conclusões, e depois avaliar tais argumentos para ver se são realmente bons. Neste sentido, um argumento é uma forma de investigação. Alguns filósofos e activistas argumentaram, por exemplo, que criar animais só para fornecer carne causa um sofrimento imenso aos animais e que, portanto, isso é injustificado e imoral. Será que eles têm razão? Não se pode decidir consultando os preconceitos que se têm. Estão envolvidas muitas questões. Temos obrigações morais para com outras espécies, por exemplo, ou é só o sofrimento humano que é realmente mau? Podem os seres humanos viver realmente bem sem carne? Alguns vegetarianos viveram até idades muito avançadas. Será que este facto mostra que as dietas vegetarianas são mais saudáveis? Ou é esse facto irrelevante, considerando que alguns não vegetarianos também viveram até idades muito avançadas? (É melhor perguntar se uma percentagem mais elevada de vegetarianos vivem até idades avançadas.) Talvez as pessoas mais saudáveis tenham tendência para se tornarem vegetarianas, ao contrário das outras? Todas estas questões têm de ser consideradas cuidadosamente, e as respostas não são, à partida, óbvias. Os argumentos também são essenciais por outra razão. Uma vez chegados a uma conclusão bem apoiada por razões, os argumentos são a maneira pela qual a explicamos e defendemos. Um bom argumento não se limita a repetir as conclusões. Em vez disso, oferece razões e dados para que as outras pessoas possam formar a sua própria opinião. Se o leitor ficar convencido que devemos realmente mudar a forma como criamos e usamos os animais, por exemplo, terá de usar argumentos para explicar como chegou a essa conclusão: é assim que convencerá as outras pessoas. Ofereça as razões e os dados que o convenceram a si. Ter opiniões fortes não é um erro. O erro é não ter mais nada.

Anthony Weston, A arte de argumentar, tr. Desidério Murcho, Gradiva, 1996, pp. 13-15.



08/09/2009

Lógica e argumentação - Desidério Murcho

A Argumentação é um instrumento sem o qual não podemos compreender melhor o mundo nem intervir nele de modo a alcançar os nossos objectivos; não podemos sequer determinar com rigor quais serão os melhores objectivos a ter em mente. Os seres humanos estão sós perante o universo; têm de resolver os seus problemas, enfrentar dificuldades, traçar planos de acção, fazer escolhas. Para fazer todas estas coisas precisamos de argumentos. Será que a Terra está imóvel no centro do universo? Que argumentos há a favor dessa ideia? E que argumentos há contra ela? Será que Bin Laden é responsável pelo atentado de 11 de Setembro? Que argumentos há a favor dessa ideia? E que argumentos há contra? (…) O que é a consciência? Será que alguma vez houve vida em Marte? Queremos respostas a todas estas perguntas e a muitas mais. Mas as respostas não nascem das árvores nem dos livros estrangeiros; temos de ser nós a procurar descobri-las. Para descobri-las temos de usar argumentos. E quando argumentamos podemos enganar-nos; podemos argumentar bem ou mal. É por isso que a lógica é importante. A lógica permite-nos fazer o seguinte:
1) Distinguir os argumentos correctos dos incorrectos;
2) Compreender por que razão uns são correctos e outros não; e
3) Aprender a argumentar correctamente.
Os seres humanos erram. E não erram apenas no que respeita à informação de que dispõem. Erram também ao pensar sobre a informação de que dispõem, ao retirar consequências dessa informação, ao usar essa informação na argumentação. Muitos argumentos incorrectos não são enganadores: são obviamente incorrectos. Mas alguns argumentos incorrectos parecem correctos. Por exemplo, muitas pessoas sem formação lógica aceitariam o seguinte argumento:
Tem de haver uma causa para todas as coisas porque todas as coisas têm uma causa
Contudo este argumento é incorrecto. A lógica ajuda-nos a perceber por que razão este argumento é incorrecto, apesar de parecer correcto. Chama-se “válido” a um argumento correcto e “inválido” a um argumento incorrecto.


Desidério Murcho, O lugar da Lógica na Filosofia, Plátano, 2003, pp. 9, 10.

07/09/2009

Conceitos específicos nucleares III

3.1. A dimensão ético-política - análise e compreensão da experiência convivencial
3.1.1. Intenção ética e norma moral
3.1.2. A dimensão pessoal e social da ética - - o si mesmo, o outro e as instituições
3.1.3. A necessidade de fundamentação da moral - análise comparativa de duas perspectivas filosóficas
3.1.4. Ética, direito e política
- liberdade e justiça social
- igualdade e diferenças
- justiça e equidade

O quarto capítulo do Programa de Filosofia incide sobre a ética e a política. Eis os conceitos específicos nucleares fundamentais:

Moral, ética, intenção, normas, valores, liberdade moral, responsabilidade, consciência moral, consciência cívica, direito, política, estado, sociedade civil, liberdade política, justiça social, equidade.

O programa é muito vago. Eufemisticamente, chamemos-lhe "aberto".


Os conceitos propostos parecem-me claramente insuficientes. Eis alguns conceitos que poderiam ter lugar numa lista mais desenvolvida:

Autonomia, heteronomia, dever, véu de ignorância, anarquismo, comunismo, direita e esquerda (política), consequencialismo, conservadorismo, contrato social, contratualismo, consentimento, ética deontológica, socialismo, nação, mérito, igualdade/igualitarismo, justiça distributiva, amoral/amoralismo, democracia.

Muitos outros são possíveis? Sem dúvida. Mas isso discutiremos quando passarmos à análise dos dicionários.


04/09/2009

Mario Perniola - Do sentir #2

Aos nossos avós, os objectos, as pessoas, os acontecimentos apresentavam-se como algo para ser sentido, para ser vivido como uma experiência interior, causa de alegria ou dor, objecto de participação sensorial, emotiva, espiritual, ou, pelo contrário, algo de que não se apercebiam ou que se recusavam a perceber. A nós, pelo contrário, os objectos, as pessoas, os acontecimentos apresentam-se como algo já sentido, que vem ocupar-nos com uma tonalidade sensorial, emotiva, espiritual já determinada. Na verdade, não é entre a participação emotiva e a indiferença que reside a distinção, mas entre o que está por sentir e o já sentido.
Mário Perniola, Do sentir, tr. António Guerreiro, Ed. Presença, p. 12.

03/09/2009

Conceitos específicos nucleares II

Os segundo e terceiro capítulos do Programa de Filosofia desenvolvem-se em torno da acção e dos valores:

1. A acção humana - análise e compreensão do agir
1.1. A rede conceptual da acção
1.2. Determinismo e liberdade na acção humana

2. Os valores - análise e compreensão da experiência valorativa
2.1. Valores e valoração - a questão dos critérios valorativos
2.2. Valores e cultura - a diversidade e o diálogo de culturas

Os conceitos específicos nucleares identificados são os seguintes:

Razões e fins, intenções e projectos, motivos e dos desejos, deliberação, decisão, determinismo, liberdade, acção, condicionantes físico - biológicas e histórico - culturais, liberdade, agente, valor, preferência valorativa, critério valorativo, cultura.

Para lá da existência de conceitos oriundos de áreas tão diversas como a Filosofia da Acção, a Metafísica e a Axiologia, o mais relevante é a deriva sociológica destes capítulos, bastante evidente no tratamento que o Programa lhes dá e nas propostas metodológicas de alguns manuais, orientação essa que apenas foi corrigida aquando do surgimento do Arte de Pensar.

Como veremos posteriormente, existe aqui uma influência fenomenológica, mas isso não invalida que possa ser feito um tratamento didacticamente interessante e motivador para os alunos do 10º ano.

Mas, uma vez mais, a questão que (para já) se coloca é: serão estes os conceitos essenciais para estes capítulos, ou seriam preferíveis outros?

02/09/2009

Mario Perniola - Do sentir

Parece que é justamente no plano do sentir que a nossa época exerceu o seu poder. Talvez por isso ela possa ser definida como uma época estética: não por ter uma relação privilegiada e directa com as artes, mas mais essencialmente porque o seu campo estratégico não é o cognitivo, nem o prático, mas o do sentir, o da aisthesis. Os primeiros dois âmbitos surgem à primeira vista subordinados ao terceiro: a partir dos anos 60, parece ser precisamente neste território que se jogam as partidas decisivas, que se estabelecem e se desfazem as relações privadas e sociais, que se desenham e se cumprem os destinos de cada um e das colectividades.
Mário Perniola, Do sentir, tr. António Guerreiro, Ed. Presença, pp. 11, 12.

01/09/2009

Conceitos específicos nucleares I

O actual Programa de Filosofia contempla um conjunto de conceitos específicos nucleares para cada um dos módulos/capítulos a leccionar.

O primeiro módulo é referente a estes tópicos de conteúdo:

1. Abordagem introdutória à Filosofia e ao filosofar
1.1. O que é a Filosofia? - uma resposta inicial
1.2. Quais são as questões da Filosofia? - alguns exemplos
1.3. A dimensão discursiva do trabalho filosófico

Para estes conteúdos são propostos os seguintes conceitos específicos nucleares:

interpretação, problema/questão, tese, argumento, conceito, juízo e raciocínio, subjectivo e
objectivo, concreto e abstracto

Onze conceitos para um total de oito aulas de noventa minutos.

Existiriam outros conceitos igualmente relevantes para estes mesmos conteúdos?
Ocorrem-me alguns: proposição, premissa, falácia, experiência mental, contra-exemplo, opinião, crítica, mocho de Minerva, alegoria da caverna, etc.. Claro que uns serão mais importantes que outros: não me parece, por exemplo, que seja fundamental que um aluno de um curso introdutório de Filosofia seja obrigado a saber qual a simbologia de mocho de Minerva ou da alegoria da caverna; mas enquanto tópicos de introdução à Filosofia, parecem-me interessantes.

O que pensa o leitor? Que outros conceitos considera relevantes para este capítulo do Programa?