30/11/2009
Rawls sobre Kant – A boa vontade e a felicidade
27/11/2009
Ética: Objecto e carácter normativo (III)
Carácter normativo da Moral
1) As ciências normativas.
Chama-se normativa toda «a ciência que toma por ponto de partida, e fundamento, uma opção entre valores opostos, e busca determinar as condições a preencher para que o valor considerado superior, seja realizado».
Segundo tal conceito, podemos distinguir (com Wundt) três ciências normativas fundamentais, a saber:
A Lógica, que opõe o verdadeiro ao falso, e busca determinar as condições de realização do valor preferido - que é a verdade.
A Estética, que prefere o belo ao feio, e busca determinar as condições de que depende a realização da beleza.
A Moral, que opõe o bem ao mal, e busca determinar as condições de que depende a realização do bem, com exclusão do mal,
2) As espécies do normativo.
Ora, ainda que possam ter como ponto comum o seu carácter normativo, as três ciências diferem entre si por espécies distintas de normatividade. Com efeito, se no género normativo distinguirmos os aspectos discriminativo, apreciativo e imperativo, teremos que:
- O normatívo lógico é essencialmente discriminativo: isto é verdadeiro ou falso, certo ou duvidoso, etc.
- O normativo estético, além de discriminativo (isto é belo ou feio), é também apreciativo: o feio é menos apreciável (ou agradável) do que o belo.
- O normativo moral junta aos dois aspectos anteriores, o imperativo. Com efeito, não se limita, a Moral, a discriminar o bem do mal, ou a apreciar o bem como superior ao mal, mas proscreve o mal e prescreve (impõe) o bem.
Poderíamos acrescentar ainda, como nova característica, que é prospectivo, o normativo moral, enquanto considera (e julga) o que é, em função do que deve ser; ou o que fazemos, em função do que devemos fazer.
Posto o que, definiremos a Moral como «a ciência que tem por objecto o comportamento do homem, enquanto orientado em função de valores, e sujeito a apreciação, segundo o duplo critério do bem e do mal».
3) Divisão, - A Moral compreende duas partes fundamentais:
(ii) Moral formal, ou geral. - Ocupa-se, como a designação sugere, dos problemas comuns a toda a moralidade. Esses problemas, que a seguir serão estudados, envolvem especialmente: a consciência moral; a liberdade e a responsabilidade: o conceito de Bem; o dever e o direito.
26/11/2009
David Hume - Moral e Razão #2
24/11/2009
David Hume - Moral e Razão
Visto que a moral tem influência nas acções e nas afeições, segue-se que ela não pode provir da razão; com efeito a razão, por si só, conforme já provamos, nunca pode ter tal influência. A moral desperta as paixões e produz ou impede as acções. A razão por si só não tem qualquer poder neste domínio. Portanto as regras morais não são conclusão da nossa razão. (…)23/11/2009
Wittgenstein - afirmar vs. hesitar
20/11/2009
David Hume - Filosofia e dogmatismo
19/11/2009
Ética: Objecto e carácter normativo (II)
- Por Moral entenderemos «a ciência que tem por objecto o conjunto das prescrições por que, numa dada época, e em deterrnínada
sociedade, se regula, e é aferido, o comportamento dos homens».
- A Ética tem por objecto, não já o comportamento do homem, enquanto sujeito a prescrições (ou normas), mas o juizo apreciativo dos
actos do homem, enquanto qualificados de bons ou maus. Em termos mais singelos, podemos defini-la (a Ética) como «teoria fundamentada do bem e do mal, enquanto normas reguladoras, e universais, do comportamento humano». '
- A Axiologia é a teoria geral dos valores, enquanto objecto de juizos norrnatívos - ponto em que se opõem aos factos, que são objecto de juizos de realidade.
Estas distinções, que correspondem a exigências de rigor, nem sempre são tidas em conta, mesmo no vocabulário filosófico, onde tradicionalmente o termo «moral» assume, com os significados que lhe são próprios, outros que especificamente pertencem à Axiologia e à Ética.
É em virtude desta multiplicidade de sígnífícações do conceito de «rnoralidade» que, dentro do âmbito desta, nós podemos distinguir como domínios mais importantes:
a) Uma realidade moral, como «conjunto dos costumes (valores e normas) dominantes numa época e num meio determinados», e que definem o «ambiente moral», ou o «nível de moralidade», dessa época e desse meio.
b) Uma ciência moral, que é simultâneamente «análise (ou ciência) dos costumes» e «teoria dos valores» - espécie de «reflexão moral» exercida com o propósito de proporcionar a intervenção nos factores (causas) gerais da moralidade, e de orientar esta no sentido do progresso e do bem-estar social.
c) Uma consciência moral, como propriedade que tem o espírito humano de distinguir o bem do mal, e de emitir juízos apreciativos sobre o valor dos actos humanos (susceptíveis de serem considerados como morais):
d) Finalmente, uma vontade moral que se manifesta como realização e, sobretudo, como superação, de valores; que impõe normas de comportamento e orienta a acção no sentido dos ideais humanos superiores.
É especialmente esta «vontade moral» que imprime à moralidade a característica normativa, como um dos seus atributos fundamentais.
18/11/2009
17/11/2009
Wittgenstein - Explicação, descrição e problemas filosóficos
Correcto foi não deixar a nossa investigação ser uma investigação científica. A experiência de «que é possível, contra o nosso preconceito, pensar isto e aquilo» - seja o que for – não nos podia interessar. (a concepção pneumática do pensamento). E não devemos produzir nenhuma espécie de teoria. Na nossa investigação não deve haver nada de hipotético. Toda a explicação tem de acabar e ser substituída apenas pela descrição. E esta descrição recebe a sua luz, isto é, a sua finalidade, dos problemas filosóficos. É claro que estes não são problemas empíricos, a sua solução estará antes no conhecimento do modo como a nossa linguagem funciona, de maneira a que de facto este modo seja reconhecido – apesar de um instinto para o não compreender. Estes problemas serão resolvidos não pela adução de novas experiências, mas pela compilação do que é há muito conhecido. A filosofia é um combate contra embruxamento do intelecto pelos meios da linguagem.16/11/2009
John Rawls - Problemas filosóficos
13/11/2009
Ética: Objecto e carácter normativo (I)
1) Costumes, normas e valores. - As palavras Moral e Ética têm, na sua origem, um significado comum: elas derivam de mores e de ethos, termos que, respectivamente no latim e no grego, designam os «costumes». E, em, certo sentido, se pode dizer que estas ciências têm os «costumes» por objecto ou domínio.
Mas, que deve entender-se por costumes? E bastarão os costumes para definir o facto moral?
Num primeiro significado, «costume» significa o que é usual, habitual, no comportamento de um homem, ou de um grupo humano. Por «costumes» entende-se o conjunto das práticas sociais correntes, numa dada época e numa determinada colectividade.
Notemos, no entanto, que há costumes de diferentes espécies, comportamentos de variados níveis. E que o grupo não reage a uns e outros indiferentemente e do mesmo modo. Assim:
- Há os comportamentos inadmissíveis ou interditos: embriagar-se, proferir palavrões, meter-se com quem passa,etc.
- Há os comportamentos admissíveis ou permitidos: frequentar o Café ou o Cinema, ir a bailes, etc. (e estes mesmos eventualmente sujeitos a restrições como, por exemplo, a regulamentação das entradas no cinema segundo as idades).
- Há os comportamentos correctos (cumprimentar, ser delicado) e os obrigatórios (honestidade nos negócios, fidelidade à palavra dada).
- Há os comportamentos meritórios: ajudar os que precisam, consolar os que sofrem, etc., etc.
Que poderemos então inferir daqui? Pois bem: Que os costumes são afectados de valores, pelos quais se tornam negativos, neutros ou positivos; e que estão sujeitos a norrmas que os regulam, isto é: que os reprovam ou excluem; que os admitem e deixam passar; ou que os estimulam e aplaudem. Normas e valores aparecem assim como novas dimensões a ter em conta para definir a moralidade e determinar o objecto da Moral.
