30/10/2009
David S. Oderberg – Um argumento em defesa da pena de morte
29/10/2009
A virtude segundo Nietzsche
27/10/2009
A virtude em Aristóteles
26/10/2009
Mario Perniola - A estética do século XX - #3
Com efeito, não é certo que a noção de «diferença» possa ser considerada como um verdadeiro conceito, análogo ao de «identidade» (em torno do qual se movimenta a lógica de Aristóteles) e ao de «contradição» (em torno do qual se movimenta a dialéctica de Hegel). Talvez mais do que no horizonte da pura especulação teórica, o seu âmbito (ou, pelo menos, o seu ponto de partida) é, efectivamente, o carácter não puro do sentir, das experiências insólitas e perturbadoras, irredutíveis à identidade, ambivalentes, excessivas, que se encontram entretecidas na existência de tantos homens e mulheres do século XX. De resto, é exactamente neste tipo de sensibilidade, que mantém relações de vizinhança com os estados psicopatológicos e com os êxtases místicos, toxicomanias e as perversões, com as deficiências e as diminuições, com os «primitivos» e as culturas «alternativas», que as artes, a literatura e a música do século XX encontraram a sua inspiração. Aqui está, provavelmente, a causa do esquecimento da problemática do sentir na estética do nosso século: ela encontrou-se perante um sentir demasiado diferente daquele que constituiu o ponto de referência das estéticas de Kant e de Hegel, e preferiu retomar temas mais clássicos da vida e da forma, do conhecimento e da acção.23/10/2009
Acção moral
22/10/2009
Mario Perniola - A estética do século XX - #2
Donde deriva esta incapacidade da estética para fornecer uma interpretação teórica do sentir contemporâneo? Por que razão parece este escapar à apropriação intelectual da experiência estética? Por que razão noções como a de vida e a de forma, faculdades como o conhecimento e a vontade parecem inadaptados para conseguirem alcançar as características peculiares da sensibilidade do século XX? Por outras palavras, por que razão os instrumentos teóricos fornecidos por Kant e Hegel, o juízo e a dialéctica, se revelam incapazes de suportar o impacte de uma experiência que já não pode ser referida nem como um caso particular do universal, nem como a superação da contradição? (…) O sentir do século XX (…) move-se numa direcção oposta à conciliação estética, no sentido da experiência de um conflito maior que a contradição dialéctica, no sentido da exploração da oposição entre termos que não são entre si simetricamente polares. Toda esta grande questão filosófica, que não hesito em considerar a mais original e a mais importante do nosso século [XX], tem a ver com a noção de diferença, entendida como não-identidade, como uma dissemelhança maior do que o conceito lógico de diversidade e do conceito dialéctico de distinção. Por outras palavras, a integração da diferença na experiência assinala o abandono tanto da lógica da identidade aristotélica como da dialéctica hegeliana. 20/10/2009
Mario Perniola - A estética do século XX
Esta actividade multiforme [da estética do século XX] é, a meu ver, redutível a quatro campos conceptuais bem determinados e identificáveis através das noções de vida, forma, conhecimento e acção. (…) Toda a estética no sentido restrito (ou seja, que se autodefine como tal) pode ser enquadrada nestas quatro áreas problemáticas, sendo que as duas primeiras constituem substancialmente um desenvolvimento da Crítica do Juízo de Kant e as duas últimas um desenvolvimento da Estética de Hegel. O facto de todo o enorme edifício da estética do século XX se poder reportar, nas suas premissas fundamentais, a duas únicas obras da passagem do século XVIII para o XIX revela não só a simplicidade como também a coerência desta disciplina.
teoria da comunicação.19/10/2009
Deus e os Filósofos
Os filósofos do nosso tempo de bom grado parecem iludir a questão da existência de Deus. Não afirmam nem negam a sua existência. Mas o filósofo é responsável; se a existência de Deus é posta em dúvida, deverá dar uma resposta, a não ser que se entricheire numa filosofia céptica que não afirma nem nega, ou se restrinja ao saber definitivo e objectivo, que é o conhecimento científico, e abandone a filosofia dizendo: do que não se pode saber não se deve falar.
Karl Jaspers, Introdução à Filosofia
17/10/2009
Sociologia e doutrinação ideológica
O blogue Ponteiros Parados levanta uma discussão interessante: será a Sociologia uma disciplina com um cunho político ou ideológico?
Acrescentamos nós: nota-se algum tipo de tendência política ou ideológica nos programas de Filosofia, Área de Integração, Área de Estudo da Comunidade, Psicologia ou Cidadania e Profissionalidade, só para citar aqueles que mais próximos estão do Grupo 410?
16/10/2009
Kant - A filosofia
15/10/2009
O que é o ser humano?
"Todas as religiões, quase todas as filosofias e até mesmo grande parte da ciência, são testemunhos do esforço incansável e heróico da humanidade para negar desesperadamente as suas limitações."
Jacques Monod
13/10/2009
Sensações, Impressões e Ideias em David Hume
12/10/2009
Rawls - A filosofia
09/10/2009
Collingwood - História da teoria política
08/10/2009
Estética Analítica
Ora, verificaram-se fundamentalmente dois modos de fazer a análise: um destinado a reduzir os conceitos ou factos aos seus componentes ou propriedades de base, o outro, pelo contrário, orientado simplesmente para a clarificação de noções vagas e problemáticas, no sentido da diferenciação dos diversos usos e dos vários matizes de significado de certos campos semânticos. Deste ponto de vista, não há dúvida que em estética se praticou sobretudo este segundo modo de análise, na senda das obras do último Wittgenstein, a partir dos anos cinquenta. Desta perspectiva, que se limita à clarificação dos conceitos da linguagem corrente, distingue-se uma linha mais propriamente crítico-construtivista, com base na filosofia de Carnap e que em estética se refere sobretudo à obra de Nelson Goodman (Linguaggi), nem sempre vista como pertencente à linha analítica. Os traços mais comuns que caracterizam as teorias estéticas dos autores de inspiração analítica (entre os quais podemos recordar M. Weitz, A. Isenberg, F.N. Sibley, S. Hampshire, W. Kennick, J.A. Passmore, W.B. Gallie) consistem no antiessencialismo e na procura de clareza. O alvo polémico da estética analítica é a pretensão da estética tradicional de impor uma unidade - que para os analistas não pode deixar de ser espúria e artificial - entre as diversas artes, por meio do emprego de termos de tal modo gerais que obstam toda a diferença a favor de fórmulas ocas, tais como «expressão», «forma», «beleza», «representação», etc. Desta forma, a estética analítica acabou por conceber-se a si própria fundamentalmente como disciplina aplicada, empenhada principalmente em clarificar e destacar os conceitos de arte e de crítica de arte. Como a filosofia analítica em geral, ao discutir os fundamentos lógicos e epistemológicos do conhecimento científico, se aplicou principalmente na clarificação dos conceitos da ciência, do mesmo modo se definiu a estética analítica como disciplina clarificadora dos conceitos usados pela crítica literária e artística, das quais se espera o estudo propriamente dito, sistemático e científico, das diferentes artes. A estética analítica, a partir dos anos cinquenta, e até à crise introduzida pelo pós-estruturalismo e pelo descontrucionismo, foi, no âmbito da filosofia anglo-saxónica, essencialmente uma metacrítica, ou seja, uma filosofia da crítica literária e artística, sem qualquer interesse por aquilo que se situa para além da linguagem e da sua intencionalidade. Uma característica ulterior da estética analítica, também ela relacionada com este seu carácter metacrítico, é a escassa atenção por ela prestada ao problema da avaliação e do valor da obra. Ao ignorar a dimensão valorativa, a estética analítica tentou definir-se como disciplina puramente descritiva e classificativa, capaz de conseguir resultados objectivos e científicos, prescindindo totalmente das determinações histórico-sociais da arte, e também de toda a referência mais ampla ao horizonte cultural em que a obra se situa. Tal corresponde ao registo a-histórico próprio da filosofia analítica no seu conjunto. Posto que a estética analítica se caracterizou por uma espécie de filosofia do exercício crítico, a sua crise a partir dos últimos decénios deve-se, em boa parte, precisamente à crise do cientismo na crítica e na teoria das artes. Justamente porque definira o seu projecto nos termos de uma descrição tendo subjacente a prática crítica, independentemente de toda a prescrição normativa, é que a estética analítica entrou em crise no momento em que se tomou manifesto não existir uma única lógica que subentenda o exercício da crítica. Esta crise levou, consequentemente, a estética analítica a orientar-se numa direcção mais programática e flexível, atenta à multiplicidade de práticas próprias da crítica. Uma orientação construtivista e pragmática tornou-se assim declaradamente predominante nos últimos representantes da estética analítica, entre os quais, além de Goodman, podemos recordar J. Margolis, A.c. Danto e R. Shusterman. Isto levou, além do mais, à reavaliação da linha teórica proposta por G.E. Moore nos Principia ethica (1903). Embora antiessencialista, de facto Moore mostrara-se sensível ao problema do valor e da beleza (incluindo a da natureza), ao mesmo tempo que se mantinha indiferente às aquisições e aos resultados da crítica artístico-literária.
06/10/2009
Descartes - Génio maligno
Vou supor por consequência, não o Deus sumamente bom, fonte da verdade, mas um certo génio maligno, ao mesmo tempo extremamente poderoso e astuto que pusesse toda a sua indústria em me enganar. Vou acreditar que o céu, o ar, a terra, as cores, as figuras, os sons e todas as coisas exteriores não são mais do que ilusões de sonhos com que ele arma ciladas à minha credulidade.
05/10/2009
Estética fenomenológica
A base de confronto entre as duas disciplinas resulta da estreita analogia, ocasionalmente evidenciada pelo próprio Husserl, que liga a perspectiva estética e a perspectiva fenomenológica. Na primeira, de facto, parecem configurar-se de maneira espontânea os mesmos requisi-tos teóricos que a fenomenologia exige como pressupostos metodológicos: antes de mais, a «redução» dos conteúdos da experiência à dimensão de significado que se apresentam à consciência como valores de uma objectividade ideal (ou eidética); depois, a epokê , através da qual o observador se liberta das suas convicções habituais para descrever sem preconceitos os conteúdos do objecto resultante da primeira redução (motivo que a estética fenomenológica pôs em relação com o tema tradicional do DESINTERESSE estético); por fim, o reconhecimento do papel constitutivo da subjectividade na génese e na estruturação dos acontecimentos.
Em virtude destas analogias, foi possível interpretar o conjunto da fenomenologia como teoria estética, fundamentando-a como ontologia que assume o fenómeno estético como seu referente exemplar (O. Becker, F. Fellmann) ou instrumento privilegiado de investigação (M. Merleau-Ponty).
De um modo geral, contudo, a estética fenomenológica seguiu o caminho oposto, aplicando ao campo estético as análises e os procedimentos descritivos elaborados por Husserl em contexto filosófico. Baseando-se na postura antipsicologista e antinaturalista que caracteriza a globalidade da reflexão husserliana, a estética fenomenológica conheceu diferentes fases de desenvolvimento consoante se referia à chamada fase «realista» do seu pensamento, que se inspirava nas Investigações Lógicas (1900-1901), à fase resumidamente definida como «idealista», inaugurada pela obra Ideias para uma Fenomenologia Pura (1913), ou ainda às investigações sobre a correlativa função transcendental do binómio sujeito-objecto que ocupam os últimos anos do seu trabalho.
Os primeiros discípulos de Husserl acentuam, sobretudo, o momento realista da EXPERIÊNCIA ESTÉTICA e elaboram a teoria fenomenológica do OBJECTO ESTÉTICO considerado na sua autonomia estrutural e de significado (W.. Conrad), ou então no específico valor ontológico que assume enquanto OBRA DE ARTE (R. Ingarden). A estética fenomenológica desenvolve-se assim de maneira sistemática como descrição do carácter artístico dos diferentes âmbitos da criação estética (literatura, pintura, música, cinema, etc.) e influencia com os seus contributos as estéticas emergentes do FORMALISMO e do estruturalismo.
Gianni Carchia e Paolo D'Angelo,
Dicionário de Estética, Editorial Presença
02/10/2009
Vergílio Ferreira - juízo estético

Vergílio Ferreira, Espaço do Invisível – vol.1, Bertrand, 1990, p. 47.