23/03/2009

Intenção e motivo


Intenção e motivo são noções conexas; o motivo é motivo de uma intenção (…). A relação é tão estreita que, em certos contextos, motivos e intenções são indiscerníveis, em particular quando a intenção é explícita. (…) A intenção responde à pergunta “quê, que fazes?” Serve, pois, para identificar, para nomear, para denotar a acção (o que se chama ordinariamente o seu objecto, o seu projecto); o motivo responde à questão “porquê?” Tem, portanto, uma função de explicação; mas a explicação já vimos, pelo menos nos contextos em que motivo significa razão, consiste em esclarecer, em tornar inteligível, em fazer compreender. Portanto, é sob a condição da redução do motivo a uma razão de… e da explicação a uma interpretação, que a noção de motivo aparece separada da de causa por um “abismo lógico”: classificar algo como motivo é excluir que o classifiquemos como razão de… (…).

A relação causal é uma relação contingente no sentido de que a causa e o efeito podem identificar-se separadamente e que a causa pode compreender-se sem que se mencione a sua capacidade de produzir tal ou tal efeito. Um motivo, pelo contrário, é um motivo de: a íntima conexão constituída pela motivação é exclusiva da conexão e contingente da causalidade.
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